quinta-feira, março 31, 2011

Impérios do homem

Habitando a Terra dos Homens, Abdul Al Charid resolvera construir um castelo e este deveria ser o mais qualificável possível dentro dos seus limites econômicos.
Para desenvolvimento de tal projeto procurou aquele que no seu entender seria o melhor construtor da região e acordou o melhor preço e o prazo estipulado para que fosse devidamente construído.
Charid estava feliz ao ver que passo a passo o seu castelo ia se materializando e como convém nestes casos visitava periodicamente a obra. Ocorreu que tendo o construtor tendo recebido e definido prazo pela execução da construção desapaixonou-se dela e já não trabalhava mais com o mesmo vigor e interesse, tudo indicava que o prazo não seria cumprido, além do que não havia mais esmero por parte do construtor.  Tendo que pagar outras pessoas para destruir parte do trabalho e construí-lo de forma a atender a qualidade esperada por Charid, este viu-se em prejuízo de uma boa quantia...
Ocorre que neste caso Charid podia demandar em juízo buscando o ressarcimento, por outro lado ele também além de ser probo, buscava ser um homem de bem e embora tivesse decidido a processar o construtor, refletia nos perigos espirituais de tal empreitada. Assim pensando procurou aconselhar-se com amigos e conhecedores do livro da vida...
O livro da vida assim diz:
Perdoai, para que Deus vos perdoe. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. (Mateus, capítulo 5, versículo 7)
Acaso não era o caso de Charid? Sendo ele vitimado pelo construtor de acordo com as regras do homem era pleno de direitos sobre a sua perda, ocorre que se propondo a ser uma homem de bem era chamado a raciocinar de acordo com a Lei Maior...
Nesse aspecto o Livro da Vida era muito claro na sua mensagem: "Esqueçam o mal que lhes fizeram e não pensem outra coisa que não seja: no bem que vocês podem fazer."

terça-feira, março 29, 2011

Flávia Guedes - a Aspásia...

A TV está tão repleta de atores globais, de tal forma que quando se fala em Alexandre Borges, Murilo Benício, Lázaro Santos, Glória Pires, o que se pode esperar é no mínimo um bom e irrepreensível trabalho. São das figurinhas as carimbadas, as mais difíceis e assim Jacques Le Clair, Ari Clenes e a enfermeira Norma penetram nossos lares como boas aulas de interpretação e cultura.

Mas quando aparece uma "Aspásia" e o trabalho de Flávia Guedes na novela Araguaia, a coisa toma ares de "suprassumo" com destaques para sua interpretação do espírito goiano, coisa nunca vista até então em uma novela. O fato de ser ela goiana de Jataí, não explica, o trabalho foi bom mesmo. A Flávia é linda e de quebra teve que concorrer com Laura Cardoso. É mole ou quer mais?

Estas palavras antes do término da novela Araguaia é uma questão de justiça apenas...

sexta-feira, março 25, 2011

Bezerra de Menezes


BRASIL CORAÇÃO DO MUNDO PÁTRIA DO EVANGELHO-HUMBERTO DE CAMPOS
PSICOGRAFIA DE CHICO XAVIER

Segundo os planos do invisível o grande missionário, no seu maravilhoso esforço de síntese, contaria com a cooperação de uma plêiade de auxiliares de sua obra para auxiliá-lo, nas individualidades de João Batista Roustaing, que organizaria o trabalho da Fé. De Leon Denis, que efetuaria o desdobramento filosófico. De Gabriel Delanne, que apresentaria a estrada científica e de Camile Flmarion, que abriria a cortina dos mundos, desenhando as maravilhas das paisagens celestes, cooperando assim na codificação Kardeciana, no Velho Mundo. Ia resplandecer a suave luz do Espiritismo O infinito se prepara para a jornada gloriosa. As abnegadas coortes de Ismael, trazem as suas inspirações para o pais do Cruzeiro.
As primeiras experiências espiritistas no Brasil, começaram pelo problema das curas. Em 1818, já o Brasil, possuía um grande circulo homeopático sob a direção do mundo invisível nessa época, reúnem-se Ismael com seus colaboradores.. Diz ele: - Irmãos, este século é assinalado pelo advento do Consolador, numerosos missionários estão voltando na Terra. Uma verdadeira renascença das filosofias, da arte e das ciências se verificará. Concentremos nossos esforços na Terra do Evangelho, para que possamos plantar no coração de seus filhos as sementes benditas, que frutificaram no solo abençoado do Cruzeiro. Encaminhando-se para um dos dedicados e fieis discípulos, falou -lhe assim... Dr. Adolfo Bezerra de Menezes "Descerás às lutas terrestres com o objetivo de concentrar as nossas energias no Brasil. Arregimentarás todas os elementos dispersos, com dedicação de teu espírito, afim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos elevados propósitos de reforma e regeneração". Se a luta vai ser grande, considera que não será a compensação do Senhor, que é o caminho a verdade e a vida. Havia um divino silêncio e uma voz, terna, exclamou. "Gloria a Deus nas alturas e paz na Terra aos trabalhadores de boa vontade. Luminosidade e aromas, inundaram a atmosfera. Daí a algum tempo no dia 29 de Agosto de 1831 no Riacho do Sangue no Ceara, nascia Adolfo B. DE Menezes, o grande discípulo de Ismael que vinha cumprir no Brasil, elevada missão.


MENSAGEM DE BEZERRA DE MENEZES


O mundo está repleto de ouro. Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.Mas o ouro não resolve o problema da miséria. O mundo está repleto de espaço. Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campo Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.

O mundo está repleto de cultura. Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião. Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.

O mundo está repleto de teorias. Teorias na Ciência. Teorias nas Escolas Filosóficas. Teorias nas Religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.

O mundo está repleto de organizações. Organizações administrativas. Organizações econômicas. Organizações sociais. Mas as organizações não resolvem o problema do crime.

Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o monstro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é Evangelho de Jesus no coração humano.

Sejamos, assim, valorosos, entendendo a Doutrina Espírita que desentranha da letra, na construção da humanidade nova, irradiando a influência e a inspiração do Divino Mestre, pela emoção e pela idéia, pela diretriz e pela conduta, pela palavra e pelo exemplo e, parafraseando o conceito inolvidável de Allan Kardec em torno da caridade, proclamemos aos problemas do mundo: "Fora do Cristo não há solução".



BEZERRA DE MENEZES

terça-feira, março 15, 2011

CURRICULUM VITAE


Rua dos Tucanos Qd. 03 Lt. 51 Jardim Ana Rosa – Aparecida de Goiânia CEP 74.980.792

luizcmenezes@hotmail.com

Luiz Carlos Ferreira de Barros Menezes

Objetivo: Professor de História - Assistente Financeiro


Experiência: 01/1984-07/1990 - BANCO MERCANTIL DO BRASIL - Escriturário, Chefe de Serviço
Experiência: 98/1990-08/1991 - TERRA FUTURO IND E COM S/A - Assistente Financeiro
Experiência: 12/1991- 02/1994 - BANCO DE CRÉDITO NACIONAL - Compensador

Experiência: 02/1994-/03/2003 - BANCO DO ESTADO DE GOIÁS - Escriturário, Chefe de Serviço

IBGE - Entrevistador

02/2009 - 03/2010 - COLÉGIO ESTADUAL ANTÔNIO DE SOUZA LOPES - Auxiliar de Secretaria

04/2010 11/2010 - COLÉGIO ÉPOCA - Professor Fundamental - 6º ao 9º ano

Formação e cursos:

• 2009 - Licenciado em História pela UNIFAN

• Iniciação em Astronomia – Distâncias astronômicas 05/04 a 28/06/20005 – Planetário da Universidade Federal de Goiás

• Iniciação em Astronomia – O Cosmo de Karl Seagan 07/04 a 23/06/20005 – Planetário da Universidade Federal de Goiás

• Educação e trabalho – 06 a 08 junho/2006 – UNIFAN

• I COLÓQUIO DE HISTÓRIA – A escrita da história e seus múltiplos caminhos – 30/31/06-2006 – UNIFAN

• O ensino de História, a Estética da sensibilidade e a formação de Professores – 08/05/2007 – Universidade Católica de Goiás.

• História da África e da cultura Afro Brasileira – junho 2007

• Áfricas e Africanidades – junho/2007 – UNIFAN

• II COLÓQUIO DE HISTÓRIA – A escrita da História na contemporaneidade – 11/11/2007

• História do cinema pela história do Negro no cinema – 17/11 a 16/12/2007 – 40 horas UNIFAN

• Viagem Técnica à Porto Seguro – BA 1º a 04 de maio/2008

• Discursos da MPB e a Diáspora Negra – PUC GOIÁS – de 21 a 23/05/2008

• III COLÓQUIO DE HISTÓRIA – 21/11/2008

Apresentações de trabalhos:

• II COLÓQUIO DE HISTÓRIA - comunicação: “Africanidades” – 11/11/2007

• III COLÓQUIO DE HISTÓRIA – comunicação: “ETNIA BRASILIS BELEZA E CONTRADIÇÕES DE PORTO SEGURO

• 3º lugar em poesia no BEG 40 ANOS - Literatura

• 2º lugar na SEMANA NACIONAL DO LIVRO - da Biblioteca Pública Ursulino Leão da cidade de Aparecida de Goiânia.



quinta-feira, março 10, 2011

Fora KADAFI

Caros leitores,

O Conselho de Segurança da ONU tem 48 horas para decidir se irá impor a zona de exclusão aérea e impedir os ataques mortais contra civis na Líbia. Uma pressão global conjunta de cidadãos ao redor do mundo ajudaram a pressionar o Conselho a chegar a uma posição antes, nós precisamos dela agora:


Enquanto os aviões do Kadafi bombardeiam o seu próprio povo, o Conselho de Segurança irá decidir em 48 horas se eles irão impor a zona de exclusão aérea para impedir os aviões de guerra do governo de voar.

Juntos nós enviamos 450.000 emails para o Conselho de Segurança da ONU, colocando pressão no Presidente do Conselho e ajudando a conquistar sanções sobre o regime e justiça para o povo da Líbia. Agora, para impedir um massacre, nós precisamos de um chamado massivo pela zona de exclusão aérea.


Se o Kadafi não puder usar seus aviões, ele irá perder uma arma chave em uma guerra em que os civis são os que mais sofrem. Enquanto os seus helicópteros e aviões estiverem no ar, o número de mortes irá aumentar. Nós só temos 48 horas – vamos conseguir 1 milhão de mensagens para parar os ataques mortais do Kadafi antes que seja tarde:

http://www.avaaz.org/po/libya_no_fly_zone_1/?vl



CELULAR - Estatus II

O ônibus havia chegado, no seu interior a maioria das pessoas ia realmente para o concurso. Não havia lugar para se sentar. Procurei um lugar em que eu me acomodasse melhor...

Do lado em que estava eu ouvia uma moça falar ao celular. Em suma ela dizia a alguém do outro lado que não tinha caneta com tinta preta - que as pessoas estavam falando que era a exigida e que não tinha dinheiro com ela para comprar assim que chegasse à entrada e pedia para que a pessoa do outro lado resolvesse.

Logo logo apareceu uma boa samaritana que se propôs a pagar caneta para ela, eu também procurei ajudar e o que ninguém se lebrou no momento é que não aceitavam entrar com celulares ou qualquer outro equipamento eletrônico... Nesses casos a pessoa deixa o equipamento em algum local que lhe cobra o aluguel até o fim do concurso...

Não sei como ela se arranjou, mas apesar do mico neste caso o celular ajudou e também arrembentou com tudo....

CELULAR - Estatus?

Nada mais estranho e absurdo alguém andando de lá para cá e em círculos e falando como se gritasse ao telefone. Ao que parece e que se pode deduzir é que a ligação está ruim e como ele(a) não ouve tem a necessidade de gritar.

A pessoa envolvida não percebe mas a cena é ridícula.

O problema é que ele(a) corre o risco de ter uma multidão participando da conversa senão com palavras, mas com os ouvidos.

Um dia desses, estava eu em um ônibus, era domingo e ia para uma prova de concurso municipal em educação. Ocorre que neste tipo de situação grande parte das pessoas ali no ônibus iam todos para o mesmo lugar.

Eu havia levado duas canetas de material transparente e que escrevia na cor preta, por que era exigência do concurso, costumo levar canetas deste tipo para distribuir para pessoas desavisadas que não lêm o regulamento.

Como no dia eu havia levado apenas duas canetas, uma ficou logo no ponto de ônibus antes que ele chegasse...

Quando eu estava à espera do ônibus logo chegou um casal de jovens, a jovem tinha no bolso da calça jeans duas canetas de tinta azul e eu, sem aproximar muito perguntei se ela ia para o concurso e a resposta foi afirmativa. Expliquei-lhe que era obrigatório o uso da caneta de tinta preta mas indulgente afirmei que a maioria das pessoas não liam o regulamento completo e eu lia aspectos importantes (de forma dinâmica sem lhe explicar essa parte)

Emciumadamente o jovem entrou na conversa e perguntou se eu venderia uma das minhas canetas e eu respondi não a ele mas à ela dizendo que era melhor que trocássemos as canetas eu daria a ela a de cor preta e ela me daria a de cor azul e assim foi feito.

Na verdade eu não tinha percebido a "marra" do jovem preocupado em simplesmente ajudar, ele havia dito que lia todos os regulamentos, então eu disse muito bem, é o que se deve fazer.

Desfeito a marra, ele me pedira as instruções que fazem parte do comprovante de instrução e que vem com o endereço para o concurso...

Eu quis ajudar e fui mal interpretado, uma semana antes eu tinha participado de uma dinâmica para selecionar candidatos para emprego em uma grande empresa da cidade de Goiânia e lá emprestei seis canetas...

Continua no próximo post: CELULAR - Estatus II

quarta-feira, março 09, 2011

Na terra como no céu

“É preciso fazer brotar no fundo de nós mesmos o desejo do bem para que possamos merecer a graça de retornarmos à Terra dos tempos novos!” Rembrant



No dinamismo da vida nada está realmente parado. É preciso que a verdade de todas as coisas seja restabelecida. Esta é a realização da promessa crística quando, o seu verbo Divino proclama: Se me amardes, guardareis os meus ensinamentos. E, eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, - o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque ele não o vê nem o conhece. Mas vós o conheceis, porque habita convosco, , e estará em vós, - Mas aquele Consolador, o Santo Espírito, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo quanto vos tenho dito. (João, capítulo 14, versículos 15 a 17 e 26.)

No prefácio do Evangelho segundo o Espiritismo está confirmada a argumentação de que vivemos o tempo em que a verdade gradativamente é restabelecida: “Digo-lhe que são chegados os tempos. Todas as coisas, daqui para diante, terão o seu sentido real restabelecido, visando a dissipar as sombras, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”

O restabelecer da verdade tem a função de dissipar as sombras que envolvem as coisas o que inevitavelmente pode confundir o orgulho daqueles que partindo do seu ponto de vista se acreditam de posse da verdade absoluta ao mesmo tempo em que glorificará o justo o que equivale dizer que a verdade é justa e como tal coloca o justo no seu devido lugar, capaz de iluminar como a candeia que é retirada debaixo do alqueire. É preciso que se entenda a arte como a candeia que está colocada sob o alqueire o que é verdadeiramente injusto porque o que se quer com a candeia é iluminar e ela, a arte colocada em ponto estratégico é capaz de plenificar sua luz. Até então sua luz como verdade permanece em estado latente aguardando o momento adequado para seu desabrochar. É meu pequeno óbulo. Lutar pela valorização da arte, restabelecendo sua verdade a ponto de lhe fazermos justiça colocando-a no patamar que lhe é devido para que ilumine cada vez mais. Isto requer o auxílio de uma ciência, de uma verdade que apenas recentemente a evolução da humanidade se permitiu enxergar, o espiritismo, o consolador prometido. Isto fica claro quando Kardec afirma: “O espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, através de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as relações desse mundo espiritual com o mundo corporal”.Há uma relação entre o mundo corporal ou material e o espiritual ou imaterial o que equivale dizer que há uma arte material efeito das nossas ações materiais e uma arte espiritual ou efeito das nossas ações espirituais ou ainda, ações espirituais dos espíritos ou seres imateriais. Dilatar a compreensão dessa relação mundo corporal, físico e a essência que é de natureza espiritual é necessário a cada um de nós para podermos compreender o que é arte e sua capacidade de plenificação da luz. O que se quer realmente dizer com isto é que tudo está em transformação em busca de sua essência real, isto porque ultrapassados os limites que nos ligava à infantilidade planetária e por uma lei natural de evolução ocorre por esta imposição a transformação material natural do planeta e, é claro conseqüentemente tudo que nele habita se transforma para um mundo regenerador. Desta forma com a arte não pode ser diferente. Ela está também em transformação, há de surgir como tudo regenerada. Para tanto é necessário compreende-la como parte de um conjunto inseparável. Há que ser a arte combinada com o evangelho de Cristo, sem o que ela permanecerá incompleta. Eis aí a verdade na qual a arte como a candeia colocada no seu justo lugar para que possa realizar sua tarefa de plenificação. Permita-me o leitor passar em revista o penúltimo capítulo da obra “Universo e Vida” de autoria espiritual de Áureo, editada pela FEB em 1978. Assim diz Áureo: “O espiritismo não tem o caráter isolado de uma filosofia, de uma ciência ou de uma religião. É, simultaneamente revelação divina e obra de cooperação dos Espíritos humanos desencarnados e encarnados.” Isto já basta para estabelecer uma co-relação entre a arte que é produzida no nosso plano de ação – o material e tida por muitos como a única arte que existe por que apenas o mundo material é aceito e conseqüentemente quem assim vê aceita apenas as leis que regem o mundo material, mas não é assim nem com a arte nem com nada. A própria matéria não existe sem que preexista a energia básica que é de essência espiritual, embora só consigamos perceber a matéria, ela não é nada mais que uma extensão vibratória do espírito. Desta forma podemos perceber que tudo que é material é causado por energia espiritual e como não há efeito sem causa e partindo do princípio de que a matéria não é causada pela própria matéria em si, é aceitável o pensamento que ela é gerada por energias espirituais. Podemos conceber então que a arte é resultada não apenas das nossas ações físicas puramente materiais, mas também efeito das nossas ações mentais, portanto equivale dizer que ela só existe por que foi concebida e criada pela mente. Por isso dizia Da Vinci: A pintura é coisa mental. Ousamos acrescentar: “A arte é coisa mental”. Após esta breve digressão sobre arte podemos retomar o pensamento de Áureo no ponto que avalia o caráter trino da Doutrina Espírita, a partir do qual pudemos aceitar a idéia de que como “espíritas” não somos apenas religiosos, mas também filósofos e cientistas e independentes de estarmos encarnados ou desencarnamos co-participamos de forma a participarmos não apenas da doutrina espírita mas de outras ramificações do pensamento humano do qual nos unimos pela afinidade. Contínua assim Áureo: Tem a característica de ser impessoal e progressivo; primeiro por não ser fruto da revelação de um só Espírito, nem o trabalho de um só homem; segundo por ser a complementação natural, expressa e lógica das duas primeiras Grandes Revelações Divinas (a de Moisés e a do Cristo);(...) Nesse ponto Áureo deixa claro uma gradação e evolução natural das revelações divinas ao ser humano, uma sendo conseqüência da anterior e portanto sua evolução transitando do pessoal para o impessoal, do individual para o coletivo, enfatizando esse aspecto como exemplo cita Áureo: “terceiro, porque, como bem disse Kardec, ele jamais dirá a última palavra. O espiritismo é ciência porque investiga, experimenta, comprova e conceitua leis, fatos, forças e fenômenos da vida, de natureza, dos pensamentos e dos sentimentos humanos. É filosofia, porque cogita, induz e deduz idéias e fatos lógicos sobre as causas primeiras e seus efeitos naturais; generaliza e sintetiza, reflete, aprofunda e explica; estuda, discerne e define motivos e conseqüências, como e porquês de fenômenos relativos à vida e à morte. É religião, porque de suas constatações científicas e de suas conclusões filosóficas resulta o reconhecimento humano da Paternidade Divina e da irmandade universal de todos os seres da Criação, estabelecendo, desse modo, o culto natural do amor a Deus e ao próximo.Somente sendo assim como é, poderia o Espiritismo realizar a sua grande missão de transformar a Terra, de mundo de sofrimento, de provas e expiações, em orbe regenerado e pacífico, a caminho de mais altas expressões de glória cósmica. Essa missão de transformar o mundo, o Espiritismo cumprirá; não com palavrório inconseqüente, nem com tricas políticas ou com ações de força bélica, mas fazendo a Humanidade enxergar e entender a evidência das grandes leis e dos grandes fatos da vida, a imortalidade do Espírito, a justiça indefectível, o imperativo do amor. ”O espiritismo deverá agir em todos os campos de conhecimento e da ação humana, desta forma auxiliando para que estes campos e estas ações sejam guiados para o restabelecimento da verdade. Assistiremos então o espiritismo e conseqüente as ações espíritas na Literatura, na música, nas artes plásticas, no cinema, no rádio, no teatro, na televisão, na medicina, na Psiquiatria, na Psicologia e Psicanálise, Lingüística, Sociologia, Arqueologia, Geologia e História. Como e quando efetivamente será a ação do espiritismo na arte? E mais: Como e quando será efetivamente a participação do artista espírita posto que como espírita cabe-lhe o dever de ser ao mesmo tempo cientista, filósofo e religioso da arte?

Créditos desta edição:

Bibliografia:

KAMINSKY, Walkíria. Pescadores de Almas/Depoimento real sobre reencarnação.São Paulo: Lis Gráfica e Editora.1988

SANT'ANNA, Hernani T. Universo e Vida. RJ: FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA DEPARTAMENTO EDITORIAL.1978

segunda-feira, março 07, 2011

Retrato de Porto Seguro


A primeira impressão sentida
Ao pisar as areias
Das praias de Porto Seguro
É a de deslumbramento e pequenez...
Extasiados ante a beleza do mar
Nossos poros se põem em guarda
E os pelos ficam eriçados.
O mar que há na’alma da gente
Ameaça em ondas invadir
Os limites de nossos espelhos...
O mesmo conflito das águas em pororoca
Se revela em nossos corações
Mas diante de tanta beleza
Tolamente nos sentimos agradecidos
Ao Grande Arquiteto
Por pensar ser parte deste universo.
Este êxtase é quebrado
Por vozes pataxós infantis:
- Môço! Compra um colar p’rá me ajudar...
ou então é um dos nossos
desses que transpiram generosidade afirmando:
- Vamos comprar que é para ajudar a baianinha!
Desta vez os limites de nossos espelhos
Não são capazes de se sustentarem
E as lágrimas antes discretas
Agora precisam ser enxugadas:
“ é que a “esmola fere a mão de quem
a recebe e a mão de quem a oferta”
E nos sentimos humilhados
Porque nos parece que o processo “civilizatório”
Nos colocou em lados distintos: colonizados contra colonizados
De tal forma que os legítimos herdeiros da terra
Antes nus pretendem agora nos desnudar
E assim nos sentimos, desnudados sem direito a pintura ou cocares.
E aos pataxós se juntam as
Mais variadas etnias e culturas
E, em suas brasilidades tantas vezes excluídas
São guerreiros sem opção
Que não seja a de pertencerem à marginalidade
E o que antes no pareceu um porto seguro,
Não nos afigura tão seguro assim.
E, é assim que o sonhador
De uma realidade pretendida e não alcançada
De um mundo melhor e justo
Percebe na subjetividade de sua alma de poeta
A história que o homem constrói....
O sonhador no seu papel de Sentidor
De pensar um mundo melhor
Se queda desarmado ante a realidade
Por demais evidente...
E o mar que existe na alma da gente
Faz agora materializar suas ondas de mar e sal
E é como se a força das marés
Invadissem irremediavelmente
Os limites dos nossos espelhos...

Comentários sobre A GRANDE SíNTESE de Pietro Ubaldi

Luiz Carlos Menezes

Explicações

Sou professor de História, licenciado pela UNIFAN da cidade de Aparecida de Goiânia, estado de Goiás.

Há alguns anos atrás levado por insônia fiz a leitura dinâmica de um livro de história geral. Tão logo consegui dormir lá pelas tantas da madrugada eu tive um sonho. Neste sonho eu me sentia como em uma aula de história. Em uma tela de proporções pequenas tipo 2,30 m por 1,50 eu revi as informações que obtivera através da leitura dinâmica. Na tela eu via todas as cenas e me lembro das cenas envolvendo a 2ª guerra mundial e Hitler.

Não é de se estranhar já que conhecemos os prodígios do cérebro, mas algo me deixou deveras intrigado. Como sofro de um problema de bexiga sou obrigado a acordar diversas vezes na noite para ir ao banheiro, daí o que é intrigante: todas as vezes que eu retornava a dormir eu retornava ao sonho.
Também há alguns anos atrás talvez levado pela vaidade pensei escrever um trabalho que facilitasse às pessoas, a compreensão da obra “A Grande Síntese” de Pietro Ubaldi. Estaquei-me logo de início, dado a complexidade de tal evento, embora alguns amigos me fortalecessem afirmando: - Um dia você consegue!
Hoje considero prepotência da minha parte ter pensado em tal tarefa. Ocorridos mais de 10 anos do fato em si, em uma noite recente eu estudava os 04 primeiros capítulos do livro “As Leis de Deus” também de autoria de Pietro Ubaldi. Tão logo fui dormir o mesmo fato que ocorrera anos atrás com o livro de história, ocorreu de novo só que desta feita, o livro mudara, não mais o livro de história e sim o livro “A Grande Síntese”, apenas com o diferencial eu não via as cenas, apenas estudava, tantas vezes fui ao banheiro quanto voltei a dormir retornando ao sonho, até que o sono foi se aprofundando cada vez mais a ponto de eu não me lembrar ou não ir mais ao banheiro...
Sem pretensão de sintetizar resolvi escrever comentários a respeito da obra na esperança esclarecer os que como eu fazem parte da mesma corrente de pensamento. Rogo ao Criador para que me fortaleça na tarefa.

A NECESSIDADE DE UMA CIÊNCIA PSÍQUICA EM BUSCA DE UMA PERCEPÇÃO MELHOR DA REALIDADE - capítulos I a III

A ciência do século XX e o seu acumulado não tornou melhor o homem, não resolveu o problema da dor, sua capacidade se prendeu ao estabelecimento de comodidades apenas. O homem anseia por mais, ele quer evoluir. Para tanto é necessário uma ciência psíquica. A Grande Síntese é obra do estudo desta ciência psíquica. O objetivo é a busca de uma verdade maior.
O caminho é o da intuição, único capaz de nos fazer vencer a dor e a morte. O caminho não pode ser apenas o da razão. Não há crítica à ciência e sim constatação de que doutrinas que objetivaram provar a matéria são limitadas à materialidade, não podendo, portanto perceber Deus, chegando mesmo a negar sua existência.
O método é comum a todos é o da intuição e o primeiro passo é não negá-la sistematicamente afirmando que só a razão existe. Se, por um lado a razão pode explicar mesmo que equivocadamente ou limitadamente a matéria, a intuição pode no fazer ver as necessidades e a satisfação das necessidades da alma. Se o método é comum a todos, os resultados diferem por que o método se aperfeiçoa cada vez mais, a medida em que nos tornamos melhores.
Uma nova compreensão do universo e do homem torna-se um síntese intuitiva, trata-se da dilatação da visão do espírito para a busca da essência de todas as coisas. Devemos, pois principiar-nos a aceitar a intuição como parte imanente do nosso espírito e cuidarmos do nosso aprimoramento moral.
Ocorre que temos nos guiado pela razão o que significa que baseamo-nos em uma psique de superfície. O nosso eu verdadeiro se encontra em uma psique mais profunda. O eu exterior morre com a matéria. Vencer a morte seria fundir o eu exterior ao eu interior, despertar o eu interior é o objetivo da vida, através desta evolução o homem retorna para Deus e funde-se a ele.
O estudo da ciência psíquica é o instrumento de pesquisa e nosso maior bem na atualidade, um meio natural de desenvolvimento na evolução. Trata-se buscar caminhos, estradas para a alma, o que não pode ocorrer somente através da matéria. Trata-se de desenvolver - a visão direta.
É necessária a transferência do centro da nossa personalidade – o nosso eu para camadas profundas do nosso espírito. Assim dilataremos a nossa visão intuitiva e poderemos compreender os mistérios da Criação. O primeiro passo é não negar a intuição.
Por que não negar? O homem precisa de provas das verdades espirituais. É da natureza do seu inconsciente a negação, mas seria preciso pelo menos o duvidar. A negação aniquila a capacidade de ver e de sentir. “Pior cego é aquele que não quer ver”, diz o jargão popular, e é uma grande verdade, mas podemos complementá-lo – ele jamais verá.
O amadurecimento do nosso eu refinará as nossas percepções espirituais. Na medida em que evoluirmos perceberemos de forma clara as ondas que nos envolvem e nos inspiram. O espírito deve ser a grande descoberta de cada um. É preciso desenvolver a percepção e capacidade para viver, sentir esta nova dimensão. Uma única prova nos encaminhará para a verdade: é a de que não poderemos nunca em hipótese alguma negar o que sentimos. Não exijamos pois provas além da nossa própria sensibilidade.

O AMADURECIMENTO DA NOSSA CONSCIÊNCIA PROFUNDA E A MEDIUNIDADE INTUITIVA - capítulos IV a VI

O homem é fruto de dois níveis de consciência, um superficial e outro profundo, ou seja, uma consciência superficial notadamente acessível, outra que precisa ser buscada: a consciência profunda. A primeira delas uma elaboração da matéria e com ela morre. A outra latente e profunda é síntese divina, forma o nosso eu verdadeiro. Preexiste ao nascimento e não morre, como a negamos não percebe-mo-la. A consciência superficial nos coloca em contato com o mundo exterior a partir do que percebemos todas as sensações da vida. Todas as experiências vividas na fase exterior são transportadas e gravadas pela nossa consciência profunda. Nada então se perde das nossas dores e lutas e assim crescemos em um processo de expansão contínua tais valores vão se estratificando em torno do nosso eu central.
Ao evoluirmos dilatamos a nossa consciência profunda e gradativamente tornamo-nos conscientes dela. Ao reencontrarmos o nosso eu eterno, fora dos limites do tempo e espaço, teríamos vencido a morte. É a finalidade da evolução e da vida.
Ao tomarmos consciência da realidade profunda do eu, nos colocamos aptos a receber e a perceber as correntes de pensamentos que trafegam nas dimensões do espírito. É participar de forma consciente em um grau mais elevado em comunicação com seres de outras dimensões, participar de uma forma mais alta de mediunidade de natureza inspirativa, fruto das experiências que são vividas de forma ativa e consciente.
Os conceitos obtidos pela consciência superficial estão esgotados, insuficientes, a mente moderna anseia por inovações, as filosofias se tornaram individualistas e as religiões exclusivistas e possessivas. O espírito adormeceu no pelo ceticismo, mas agora encontra-se esgotado, sua fase agora é a de esgotamento. Necessitamos de revelações mais maduras. O egoísmo só produzirá desagregação e divergências.
O tempo de agora é de novas revelações. Estamos amadurecidos pelas dores, carecemos de um novo homem, o da nova civilização do III milênio. Não se trata de destruir as verdades e sim de vesti-las com novas interpretações.
A Grande Síntese conduz-nos a uma viagem do espírito e noz faz compreender o funcionamento do universo. É a viagem da criatura que se volta ao seu Criador, que regressa ao seu princípio, o centro do Universo. A realidade na nossa percepção estava presa aos limites do tempo e do espaço, trata-se de caminhar em sentido contrário rumo ao Absoluto, visão que razão jamais nos permitirá antever.
Trata-se de perceber um princípio único, Deus. A existência de uma só lei que tudo rege. Este é o conceito monista. Do politeísmo passamos ao monoteísmo, porém um conceito antropomórfico e agora passamos ao monismo. Deus é unidade com o ser. O homem não é apenas eterno e membro da humanidade que abraça todos os seres, é uma potência que desempenha seu papel no funcionamento orgânico da Criação do Universo. A jornada proporciona a ele novas formas de comportamento, por que é capaz de perceber os abismos pelos quais trilhou, agora é subir em busca da fonte: Deus. Nosso coração se envolve por uma nova paixão, a evolução, o amor, o combustível que nos move.
Trata-se do nascimento de um novo homem, nova ciência, novo sistema místico nos conduzirá em uma busca além dos sentidos puramente materiais, não nos utilizamos de um instrumento tão somente, somos parte do processo somos o próprio instrumento de pesquisa, devemos nos refinar do ponto de vista moral, e este refinamento nos conduzirá a uma nova ciência que nos conduzirá a um caminho novo, de amor e elevação espiritual, fundamentos de um novo homem.

A COMPLEXIDADE TERNÁRIA DO UNIVERSO E DE TODAS AS COISAS: A TRINDADE UNIVERSAL - Capítulos VIII a IX - parte I

Quando das primeiras notas utilizei-me da 1ª primeira pessoa do singular - “eu” ao longo de todo o texto posterior, utilizei-me da 1ª pessoa do plural, posto que eu e o Universo somos hum, eu e Deus somos hum (Eu e o pai somos um, mas o pai é melhor que eu... Jesus) e, eu e você caro leitor somos hum quando nos afinizamos através das mesmas correntes de pensamentos, isto ocorre pelo simples fatos de pensarmos semelhantemente.
Peço-vos o obséquio da compreensão para me utilizar novamente do “eu” dirigindo-me neste momento em especial aos que não comungam conosco a mesma corrente de pensamento, a mesma forma de conceber a realidade a partir da idéia de que “Deus é o centro do Universo”.
A primeira idéia que ocorre é que o pensamento retrata uma concepção panteísta, ora muito bem. Devo alertar-lhes porém que o conceito universo do ponto de vista da ciência racional é: universo (u.ni.ver.so) sm 1 O espaço e todas as estrelas, planetas e formas de matéria nele existentes; cosmo. 2 Fig. Meio, mundo: o universo musical. No entanto:

ENCIC.: O conceito de universo tem variado enormemente através do tempo, tanto em termos filosóficos quanto astronômicos. Ainda inatingível em sua totalidade pelo saber e tecnologia, à medida que aumenta o conhecimento do universo, aumenta também a percepção da enormidade do que não se sabe, imprimindo caráter conscientemente não definitivo a teoria e descrições. Assim mesmo, é curioso que tanto Parmênides, no século IV a.C. quanto Einstein, 25 séculos depois, tenham concebido o universo como uma esfera (sem definir, contudo, o que haveria além dela). Durante estes séculos, Copérnico concebeu um universo heliocêntrico (com o sol no centro) em lugar de geocêntrico (com a Terra no centro), como supunham os antigos. Newton introduziu a noção das leis físicas atuando na mecânica celeste, baseado na idéia de Aristóteles de que tempo e espaço são entidades e valores absolutos. Einstein introduziu a noção da relatividade de tempo e de espaço, pois só na relação entre eles é que são perceptíveis. O universo-esfera de einstein não é infinito; tem um raio de 35 trilhões de anos-luz. (CALDAS 2004 p. 767)

Perguntaria eu: - o que isto efetivamente tem a haver com o assunto? Nota-se que o conceito de universo tem variado ao longo do tempo e o que pode ser concebido dentro da ciência racional já não se aceita mais, não se pensa mais a terra como centro do universo, não se pensa mais o sol como centro do universo, isso seria absurdo, mas com certeza o sol é o centro do nosso sistema solar, a terra é centro do sistema cujo satélite é a lua. No universo einsteiniano fechado num raio de 35 trilhões de anos-luz e finito na forma esferoidal é possível atribuir-lhe um centro. Dizer que Deus está neste centro é panteísmo. Pensemos no universo infinito. Onde estaria o centro? Se ele é infinito, o centro não existe ou existe em qualquer ponto o que tiraria o seu “estatus” de centro.
Isto quer dizer tudo a que se tratou na ciência racional foi matéria. Deus não é matéria. O centro material só pode ser constituído de algo material ainda que outro estado de matéria.
Pietro Ubaldi, Sua Voz quando afirma Deus como alma do Universo, como Espírito do Universo não pode efetivamente estar se referindo à matéria. Alerto-vos da utilização da palavra Universo, grafada com U maiúsculo para diferir de qualquer um dos conceitos materialistas. Pietro e Sua Voz se utilizam da letra grega () (ômega) para representação de Universo (U maiúscula). Para matéria ele se utiliza da letra grega () (gama), para energia ele se utiliza da letra () (beta) e para espírito ou para Deus a letra grega ().

A COMPLEXIDADE TERNÁRIA DO UNIVERSO E DE TODAS AS COISAS: A TRINDADE UNIVERSAL - Capítulos VIII a IX - parte II

O homem é a relação e harmonização de três elementos, o espírito, a energia e a matéria ou o corpo. Esta é a trindade universal realizada no homem, este é universo humano, um em diversos. O corpo que é matéria é organizado em órgãos. O nosso sistema nervoso inclusive as sinapses cerebrais são resultadas da movimentação de energia nos transmissores e neuro-transmissores e na percepção do nosso próprio eu, na consciência ou mais particularmente no nosso inconsciente, o imaterial, apenas conceito, emoção, pensamento, espírito, independente da nossa vontade, da nossa aceitação é a individuação do nosso eu, seria o “eu existo porque o meu espírito existe” e muito mais do que isto, é ele quem comanda e superintende todo o processo, negá-lo seria negar o fato de existirmos. Assim somos esta unidade ternária composta de matéria, energia e espírito.
Ora, o Universo é também matéria, e é o que mais nos rodeia impressionando nossos sentidos, mas também é energia irradiada através do som, da eletricidade, da luz, de tal forma que não podemos questionar sua existência, mas o Universo não é apenas isso. É também um corpo de leis muito bem definidas, claramente podemos perceber leis e princípios imutáveis e inteligentes. Através disso podemos conceber a existência de idéia que o dirige o que chamaremos espírito do Universo. A ciência já descobriu a relação entre os dois elementos matéria e energia como manifestação de uma só substancia. A questão agora é existe uma relação entre estes elementos e o espírito? A Grande síntese se propõe a responder a questão.
O Universo também é unidade ternária nos seus aspectos: estático, dinâmico e mecânico.
No seu aspecto Estático, a unidade-todo abarca a formação de um organismo na estruturação material que o compõe na correspondência e coordenação em um objetivo comum de todas as suas partes. Aqui temos então, matéria, estrutura ou forma do Universo.
No seu aspecto Dinâmico, temos o vir a ser, o movimento, a trajetória. Movimento que coordena as partes em funcionamento em objetivos comuns. Aqui temos a energia, as irradiações, o dinamismo do Universo.
No aspecto Mecânico, temos o conjunto de leis e princípios, configurando seu aspecto mecânico. Temos aqui o espírito, a idéia, a inteligência que faz funcionar toda a estrutura harmônica.
Estes aspectos não estão isolados, fazem sentidos apenas nas suas co-relações, coesos e conexos. Tal é a idéia que anima o Um em Diversos, com todos os seus fenômenos e todos seus reinos, biológico, astronômico, físico ou químico. Esta é a unidade que permeia o Universo, a grande idéia que o governa. O Universo é ordem, é equilíbrio e alegria, a desordem, o mal, a dor só existem como partes isoladas de desordem dentro da ordem. A lei se adapta a cada fenômeno e às suas necessidades. Dentro da ordem da vida, podemos nos manifestar como desordens temporárias, dentro dos limites do nosso raio de ação. “O livre-arbítrio está sempre contido por um determinismo, que se dilata à medida que a evolução se processa”.

A COMPLEXIDADE TERNÁRIA DO UNIVERSO E DE TODAS AS COISAS: A TRINDADE UNIVERSAL - Capítulos VIII a IX - parte III

Deus é a Grande Lei que governa o Universo, o sopro divino, centro de irradiação e atração da Criação. A lei é Deus. Por que somos criaturas divinas, ansiamos por compreendê-lo. Desta Lei maior só podemos vislumbrar fragmentos e na medida em que o homem evoluir moralmente se aproximará mais da essência profunda. A ciência deve ser um ato de fé.
A matéria é forma, é estrutura, é efeito. A energia é movimento, vontade, transformismo e o espírito a lei, princípio e ordem. Tais modos se entrelaçam se interligam em suas reciprocidades. A idéia pura espírito () se condensa revestindo-se na energia () que é vontade, é movimento e finalmente se coagula na matéria (), a estrutura, a realidade exterior. Uma só substância se deriva em três originando a expressão      (alfa vai para beta que vai para gama). O fenômeno em si como uma grande onda partindo do espírito, pensamento puro caminha para um movimento dinâmico, a energia para terminar em nova fase: a matéria.
Como todo fenômeno tem seu movimento oposto pela lei dos ciclos, lei de complementaridade, a matéria volta para a energia que volta para o pensamento puro - então:  (    ). , é o princípio e o fim, os dois ciclos se completam e se fecham em um só movimento. Este movimento é a respiração do Universo, está sendo realizada a cada instante, isto resulta em o Universo se trata de onda que partindo de um princípio se transforma em energia que animada por incrível velocidade forma a matéria e que ao desintegrar-se volta ao seu estado energético que por sua vez retorna ao princípio. Primeiro o movimento de descentralização. Dois movimentos que se complementam, sendo o primeiro de descentralização (    ) e o segundo de centralização (  ).
A onda no seu movimento primeiro cria a matéria, o universo físico (u e não ), os astros, as nebulosas, o segundo movimento – a de retorno, o de regresso - a fase em que vivemos - que dá origem à vida. No primeiro momento é involução e o segundo evolução. Desta mesma forma o homem originário em Deus retorna para Deus, mas o homem já não é mais o mesmo, é um homem evoluído, o primeiro ciclo é de involução, de afastamento da substância, o segundo ciclo é retorno à substância, seu reencontro com a perfeição, a idéia pura, o Absoluto.
O mesmo funcionamento orgânico que possibilita a criação da bomba atômica possibilita a resolução de problemas morais e o afastamento do bem.
Os dois movimentos coexistem a cada instante no cosmo, se compensam no Cosmos, as nebulosas, o nascimento e a morte das estrelas, nossa vida, todos os elementos citados perpassam pela mesma base de existência. O Universo é aqui representado por uma equação que revela os aspectos do Todo.  = (    ). Pensemos em um vórtice (redemoinho) visto por cima. Percebamos seu movimento circular partindo do centro para a superfície do círculo, agora imaginemos o movimento contrário de retorno, eis o ciclo. (    ) e (     ). Eis a técnica da criação divina, o primeiro movimento é de queda de fuga e o segundo de reconstrução de . Eis a Divina Trindade pregada pelas religiões.  é o Relativo e o Absoluto, o abstrato e o concreto.
Tais elementos distintos do Universos não existem isoladamemnte, nada acaba efetivamente, em cada momento há o predomínio de um elemento só embora se relacione com os outros dois. O homem também esta subordinado à mesma lei: (    ) – Espírito – energia – matéria e depois (     ). A essência, o substancial está presente em todos momentos, na matéria bruta  é máximo,  médio e , mínimo. Na energia  é máximo e no ser consciente,  é que se expressa com maior peso. A evolução é dada pela seqüência (     ). A substancia em gama () se transforma, volta para a substância em alfa ( ).
Somos consciências que se despertam e em trânsito para Deus, a reconstrução de , o Universo espiritual de que cada um de nós é composto, a busca do nosso interior onde está o nosso eu profundo, onde está Deus, o centro de cada um de nós.
Este pensamento de certa forma é respaldado por Emmanuel conforme abaixo:

Encontramos no livro Emmanuel, da autoria do espírito de mesmo nome, psicografado por Francisco Cândido Xavier e editado pela FEB, no capítulo 32, intitulado Quatro questões de filosofia, no item Espírito e matéria, a seguinte pergunta a ele dirigida:

“Será lícito considerar-se espírito e matéria como dois estados alotrópicos de um só elemento primordial, de maneira a obter-se a conciliação das duas escolas perpetuamente em luta, dualista e monista, chegando-se a uma concepção unitária do Universo?”
“Resposta – É lícito considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência imutável, chegando-se dessa forma a estabelecer a unidade substancial do Universo. Dentro, porém, desse monismo físico-psíquico, perfeitamente conciliável com a doutrina dualista, faz-se preciso considerar a matéria como o estado negativo e o espírito como o estado positivo dessa substância.”

HOMEM TAMBÉM É UMA UNIDADE TERNÁRIA

Capítulos IX a X

Desde o momento em que o espírito se desprende do criador em seu estado puro, faz sua jornada de evolução e a primeira parte do movimento é a queda do estado puro para o que Pietro Ubaldi vai chamar futuramente em outras obras de Anti-Sistema (AS), sendo que Deus é (S) sistema, ao partirmos das mãos do Criador faremos uma jornada - iremos de (S) sistema - Deus, para a energia B (beta - letra grega com a qual ele representa a energia) e depois iremos para gama () (letra grega com a qual ele representa a matéria). Depois o espírito faz a caminhada de volta ao S (sistema) Deus de forma evoluída, pára isso ele terá que vencer o AS (Anti-sistema), ele terá que vencer a matéria. Vencer a matéria é vencer a morte quando vivo. Este é o caminho de volta à substância e ele o faz através da reconstrução da consciência. O espírito é a organização máxima da criação Divina, somente ele pode semelhante ao Criador, também criar - ele se faz co-criador do seu próprio destino.
A desestruturação da matéria através da explosão das bombas nucleares nos revelou a existência da energia, isto equivale dizer que o mundo concreto não é tão concreto assim, o concreto se desfez em ondas, irradiações. Esta é apenas uma forma de retorno de () (gama) - matéria para beta (B) – energia, uma forma provocada pelo homem, mas o todo o universo (com u minúscula) está em processo de respiração de dentro para fora do IN para o ON, o que equivale dizer que ele o universo material partindo do princípio alfa (Deus) torna-se energia, que estimulada pela velocidade se condensa indo para o que chamamos de matéria ().
Estamos vivendo atualmente em um momento em que a matéria se envelheceu sobremaneira caminhando para desintegração (radioatividade). Esta é uma lei Divina e como tal nos favorece ao retorno ao criador, nossa matéria também está no mesmo processo.
A Criação é uma unidade global que tem um princípio único, de tal forma que a lei está não apenas na unidade mas também no caos, na fragmentação. Equivale isto a dizer que a Criação é constituída de uma substância que é única embora se apresente de formas as mais diversas. Tal substância vem de Deus, sendo que Deus está em tudo – eis o conceito monista em que a substância é única embora em manifestação ternária ou dualística. A trindade é na realidade uma unidade em substância – o dualismo recompõe-se em unidade. Assim a substância embora aparente formas diversas é sempre idêntica em princípio e o Absoluto, não se fragmenta.
A aparente fragmentação da unidade faz com que percebamos apenas parte da realidade, sendo-nos impossível uma visão sintética do Universo, a evolução, entretanto far-nos-á aproximar cada vez mais dessa visão de síntese que buscamos.
Algumas deduções entretanto são possíveis. É possível afirmar que os sistemas atômicos (microcosmos) e os sistemas cósmicos (macrocosmos) seguem os mesmos princípios. A mesma Lei que cria o macrocosmo é a mesma que cria o microcosmo. A individualidade química é a mesma individualidade astronômica.
A respiração do Universo - a sua partida de Deus, a passagem pelo estágio energia e sua condensação em matéria e, seu retorno para o estado energético até a volta à Deus se constitui em dois ciclos como em uma onda. Esse processo respiratório é chamado pelos hindus do passo de Manvantara - chegando mesmo a calcular em anos a duração dos ciclos ondulatórios.
Os ciclos fazem estão presentes em tudo que conhecemos, são como os inversos - na matéria é a polaridade positiva e a camada negativa, no biológico é o macho e fêmea – complementação em fazes opostas e complementares.
O homem também é hum, mas na sua tríplice formação é formado de espírito, energia e matéria. O mesmo princípio em que se baseia o Universo forma e rege a natureza humana.

NASCIMENTO E MORTE DA MATÉRIA - Capítulo XI

A matéria nasce quando da energia animada pelo movimento velocíssimo das partículas e morre quando da sua desagregação atômica seja ela provocada ou natural. Ela está subordinada às mesma leis a que está subordinada a substância qualquer que seja a sua diversidade. Pode-se entender a substância como espírito, como energia e como matéria os princípios são os mesmo (Monismo) e estão subordinadas a individuação, unificação e evolução, esta é a lei - individuação, unificação e evolução.
A matéria do ser humano é resultada também da individualização, diferencia-se, se reunifica e evolui por ciclos, nascimento vida e morte e renascimento - é o nascer, viver, morrer e renascer, tal é a lei - de Allan Kardec.
Com a matéria ocorre o mesmo, ela nasce, se organiza, cresce e morre, para tornar a nascer, reviver e tornar a morrer, este é um eterno transformismo evolutivo. Quando atinge a condensação máxima, sua estabilidade se rompe e ela morre na radioatividade própria dos corpos dos elementos velhos – é o caso da utilização do urânio, por exemplo, que está a um passo da morte natural quando então libera sua energia, processo esse adiantado pelo homem através de métodos científicos. A substância passa de () beta a () gama. A condensação é o resultado do movimento - princípio geral, Lei. A condensação é um movimento que fecha sobre si mesmo, acelerando a velocidade da substancia adquirindo massa e peso por efeito da velocidade - aceleração do movimento. Nesse sentido a substância (energia) se move mais rápido em um espaço menor - daí a dedução einsteiniana de que a matéria é a energia vezes a constante ao quadrado: (E = mc2) ou simplesmente a matéria é resultada da energia em movimento e a certeza de que se mirarmos os espaços vazios entre a matéria seremos guiados pela sensação de que ela não existe, de que nada existe.
É o movimento a essência do Universo é a Lei que permite a passagem de tanto em (alfa), quanto em (beta) e (gama).
Neste movimento de vai e vem há perda energética e isto é irreversível e entrópico (desorganizador) - o que equivale dizer que a substância mesmo retornando nunca retorne ao estado puramente do mesmo ponto em que partiu - é como o movimento da ômega, volta em caminho inverso sem nunca chegar ao seu ponto de partida exatamente. É um caminho evolutivo - é a lei, a substância está evolutida, tanto no sentido de alfa () – centralização ou descentralização – beta ().
A matéria nasce em beta (,) através da compactação e morre com a radioatividade, quando retorna de gama() para beta (). No aspecto estático será estrutura e no seu aspecto dinâmico serão diversos tipos específicos - individuação. No seu aspecto dinâmico, será transformismo e evolução em outros níveis.

ORGANIZAÇÃO E NASCIMENTO DA MATÉRIA - Capítulo XII a XIV

Para se entender a matéria é necessária a compreensão da Lei de Unidade, que consiste no fato de que a unidade é constituída de unidades menores e por sua vez esta unidade menor é formada de unidades menores ainda até o infinito negativo, por sua vez toda unidade é componente de uma unidade maior que participa em outras unidades maiores ainda.
O Universo se constitui de 02 movimentos um de fuga (do centro para fora) ou de fragmentação, e outro de reconstrução, de retorno – este de natureza centrípeta - de fora para dentro - um dispersa o outro aglomera, o segundo reconstitui-se na unidade. O primeiro movimento de centrifugação é chamado também de individuação da substância e cria unidades - um “eu” aparentemente à parte da unidade. O movimento centrípeto, o segundo é uma reação ao primeiro, sua natureza é reunificar. O Universo palpita da nucleação - convergência para o centro, a este comportamento chamar-se-á Unidade coletiva. A fragmentação de  se refaz com a reunião de suas partes e seu respiro se fecha e se completa. Compreendemos que isto é difícil de aceitar, embora não seja difícil entender do ponto de vista mecânica e de movimento. Ocorre que tudo que há Universo obedece a estes movimentos e é preciso não discordar pelo menos não do ponto de vista didático.
A partir de tal didática de pensamento concebemos a matérias no seu movimento primeiro de fragmentação e neste caso vão surgir as individuações químicas que conhecemos, desde o elemento mais leve até o mais pesado, cada qual com propriedades distintas, como “eus” isolados e vão do Hidrogêncio (H) ao Urânio (U).
O átomo é uma unidade que se reúne com outras unidades em uma unidade maior que é a molécula e que se reúnem a outras moléculas que por sua vez vão participar de organizações maiores até a estrutura de todo o Universo físico.
O substrato da matéria é a energia e não possui um elemento básico que a componha, suas unidades se comportam como massa mas caso haja um desaceleração do movimento das partículas ela cessa de existir (a matéria). São ondas coaguladas (pela velocidade) em diminutas regiões do espaço estabelecendo interconexões que criam a nossa realidade, ferindo nossos sentidos com a ilusão do concreto.
A substância intermediária entre a matéria e a energia foi chamada pela ciência, mas a própria ciência rechaçou sua existência. Ocorre que sendo de natureza intermediária escapou á observação atual – não impõe atrito às viagens dos corpos celestes e é imune à gravidade. É um substrato do vazio cósmico, sustentáculo das irradiações que vagueiam nos espaços siderais. Um elemento que antecede ao próton- que Sua Voz e a Grande Síntese chamam de nébulio - principal componente das nebulosas. Nasce de uma condensação energética porém, sem massa e sem o comportamento típico das partículas, está no intermédio entre a matéria e a onda. Seria o pai do Hidrogênio e filho das formas dinâmicas da energia ( )- do ponto d vista de Einstein, a vacuidade dinâmica elástica de onde parte todos os fenômenos físicos. Em verdade o nada - a origem de onde saltam as partículas de matéria que forma o universo (u - minúsculo).
As energias estão em movimento de difusão e buscam dentro da dualidade lei de unidade o seu movimento inverso e deve mudar sua trajetória para se concentrarem em outros pontos do cosmo, dobram-se sobre si mesmos. A irradiação torna-se dinâmica o vórtice se fecha. Nasce o éter, que fechando mais o seu ciclo de condensação gera um campo de atração dinâmica, verdadeiro funil de atrações poderosas – um buraco negro, como é chamado. Deste turbilhão nascerá a matéria cósmica, formadora das nebulosas e galáxias e a partir daí inúmeros sóis. As nebulosas os corpos materiais mais jovens, nascem pela condensação do éter e é o germe de tudo que existe no nosso Universo. O turbilhão se fecha, o movimento acelera sua velocidade reduzindo o espaço de manifestação até o limite em que adquire peso e passa a se chamar matéria.
A energia forma a matéria mas não a abandona, daí as ondas e a energia em si, nascendo da condensação da energia, se manifestando primeiro como éter a matéria evolui até as formas mais condensadas a partir do que começa o seu retorno à energia que o gerou, mas apenas para continuar a sua evolução em outras formas de manifestação.

A EVOLUÇÃO POR INDIVIDUALIDADES QUÍMICAS - Capítulos XV e XVI

A matéria segue uma linha de evolução desde o elemento mais simples, a protoforma do elemento químico e de peso atômico mais leve, que é o hidrogênio até o Urânio, elemento químico mais pesado. À medida que a soma de elétrons, prótons e nêutrons aumentam o conjunto se diferencia formando novos elementos. Uma prova disso é que os corpos siderais mais jovens são ricos em hidrogênio e os corpos mais velhos constituídos de elementos mais pesados.
Na série estequiogenética (processo que A Grande Síntese denomina: estequio= elemento e genia= formação) ou seja processo que estuda a matéria na sua formação progressiva do Hidrogênio ao Urânio. Neste processo assistimos a uma progressiva condensação da energia e sua conversão em massa.
A nossa ciência com relação à formação dos elementos químicos em uma estrela chama o processo de fusão nuclear ou nucleossíntese. Ocorre então que partindo do elemento H (hidrogênio), da fusão de dois elétrons formam o Hélio, que por sua vez se fundindo formam o carbono, depois o Oxigênio até o ferro.. Tal processo é conhecido como fusão progressiva e libera energia que é irradiada das estrelas, em ondas eletromagnéticas. As estrelas com grandes massas terminam por explodir quando sua reserva de hidrogênio é fundida por completo, como resultado das explosões, os átomos carregados de energia canalizam formações de matéria, gerando outros corpos astronômicos e nebulosas planetárias e neste processo os 92 elementos químicos. O sol e os planetas do sistema solar são originários de uma nuvem estelar oriunda de uma explosão de supernova, há 5 bilhões de anos. Daí se afirmar que somos feitos de poeira de estrelas, o que equivale dizer que toda a matéria do Universo é resultada de explosões estelares.
Esse processo, a nucleossíntese estelar não justificava entretanto segundo Gamow(1956) a gênese de toda a matéria que conhecemos. A partir daí ficou claro que havia outra síntese de matéria, chamada pela ciência de nucleossíntese fundamental ou primária e teria acontecido após o Big-bang. Existiria portanto, dois tipos de nucleossínteses a primária e a estelar. A Grande Síntese parte da nucleossíntese primária e não a estelar. William Fowler ganhador do prêmio nobel em 1983, provou que do hidrogênio originaram-se os outros 91 elementos químicos confirmando assim as antecipações de A Grande Síntese. A Estequiogenética da Grande Síntese segue a ordem do aumento progressivo do número atômico e ao da ordem de núcleos e prótrons e nêutrons. O elétron não é a referência de individuação fisico-química dos elementos e sim o próton.


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Há um menino na Rua

Corria o ano de 1989. O mês era maio e naquele dia 18, estávamos todos contentes. Nós do Grupo Espírita, havíamos vencido as dificuldade iniciais para a implantação do trabalho assistencial. Haviam os espíritos nos solicitado que iniciássemos o atendimento aos companheiros enfermos do plano espiritual, ainda que debaixo de uma árvore, ou em casa de pau-a-pique.

Naquela época, não tínhamos sede. Nossos trabalhos aconteciam em um compartimento emprestado, de cuja organização administrativa participavam vários companheiros do Grupo Espírita. Surgiu então a oportunidade alugarmos em frente ao referido abrigo, um barracão de três cômodos e passamos a realizar ali os trabalhos, a evangelização infanto-juvenil, o trabalho de palestra e agora, a desobsessão.

Naquela quarta-feira, depois da comunicação dos dirigentes espirituais, no primeiro dia aquele trabalho, um caso em particular, chamou-nos a atenção a ponto de emocionar-nos.

Apresentou-se-nos, para a doutrinação, o espírito de uma criança desequilibrada, infeliz e carente. Muito rebelde, agredia-nos, pulava bastante, batia palmas e exclamava:

- Cadê as crianças? Elas não estão hoje aqui! Eu gosto de brincar, de correr, de pular, eu empurro todas elas! Ih! Ih!Ih! É cada tombo que dou nelas! Eu vou derrubá cada um dôceis! Um por um, eu quero trapaiá! Eu vou trapaiá todo mundo!...

Aquela criança passou a conviver conosco, nós no plano físico o material e ela no espiritual. Passou a participar das aulas de evangelização, na marcenaria que mantínhamos a trancos e barrancos... também nas campanhas que realizávamos no CEASA , em busca de verdura e alimentos para a sopa que fazíamos.

Em uma das sessões, ficamos conhecendo mais um pouco a seu respeito:

- Ei! Cê achou que eu num vinha, né? Ih! Ih!, nem que seja um pouquinho eu venho! Cê achou que eu num vinha, né? Como é que vai?

- Como vai você?

- Eu to muito bem!

- Com Jesus? Trabalhando muito?

- Ih! Eu to muito bem, muito, muito, muito....

- Com Jesus?

- Muito... Demais...

- O que você está achando do nosso Grupo?

- Ih! Ta tudo feio, tudo horroroso mesmo, tudo feio...

- Mas, nós estamos tentando, e assim, a gente vai melhorando um pouco, melhorando o nosso sentimento, o nosso íntimo, o nosso trabalho...

- Eu dei uma ajudadinha procêis esta semana, cê viu?

- Qual foi a ajudazinha? No Forte Apache?

- Foi. Eu trapaiei. Eu trapaiei ocê lá...

Registramos aqui uma coincidência. O Evangelizador que dialogava com a entidade era o mesmo que ministrava a evangelização na Marcenaria, para algumas crianças encarnadas e, conseqüentemente, para as desencarnadas que a espiritualidade conduzia àquele ambiente, que precisavam receber também educação e evangelização. O forte apache era um brinquedo novo que o “tio” tentava desenvolver na madeira.

- Que nada, você estava torcendo para que tudo desse certo, eu já estava ficando nervoso... Nós estamos contando com a sua ajudazinha lá com os meninos...

- Eu num vô ajudá... Eu vô é ficá lá cutucando os meninos...

- Eu tenho certeza de que quando você viu o brinquedo pronto você também gostou, não é?

- Ficou horroroso, ficou horroroso...

- Mas, você gostou, você viu que os meninos brigaram por causa dele?

- Fui eu quem fiz eles brigarem...

- Você ficou com ciúme. Você também queria um. Nós vamos fazer para você com muito amor, com muita vibração... Vamos pegar o amor que há nos nossos corações e fazer um brinquedo muito bonito para você. Agora, eu quero saber o seu nome...

- Ih! Mas ocê pergunta, heim? Você pergunta heim? Mas eu já falei como eu era chamado...

- Menino de rua não!. Menino de rua é menino que está abandonado, que não tem ninguém. Você não. Você já tem a nós, tem esta casa, você já tem amparo. Nós vamos adotar você. você viu que fizemos esta casa, na é? Ela também é sua. (a entidade chora baixinho). Quando não estivermos, você pode vigiá-la para nós...

- Um dia, uma fessôra me chamou de bonezinho branco... Cê é burro.. Cê num sabe disso não? Depois eu vorto, ta?

- Vá com Deus, como é o seu nome? Ah! É o bonezinho branco...

- É o bonezinho branco, mas eu tenho nome...

- Deve ser Joãozinho, Serginho, você tem cara de Zinho, viu?

- Eu apronto mesmo... Você acertou, é Zinho mesmo. É Zezinho, agora vocês já sabem, é Zezinho.

- Vá com Deus, está na sua hora, vá com Deus.

Zezinho era um menino de rua e na rua desencarnara.

Pouco a pouco, ele melhorava. Já não era tão agressivo, apesar do seu sotaque divertido, transcrevemos, a seguir, um diálogo ocorrido após a campanha do CEASA . Nele registramos o gosto de Zezinho pela música, ponto fundamental no seu tratamento, ponto de ligação entre os nossos corações (ou seria religação?)

- Ei! Ei! Num me deixaram vir. Eu vim assim mesmo, eu corri e vim assim mesmo! Ih! Ih!Ei pra todo mundo!

- Ei!

- Todo mundo não quer que eu venha, ninguém me deixa vir, porque eu só falo besteiras... É bom demais.

- Eu quero saber o que você fez com a Flávia hoje no Ceasa...

- Ah! A Flavinha?!!! A Flavinha??!!! Eu dei um cutucão nela. Eu num falei que ia atrapaiá ocêis lá?

- Ela falou mesmo: “Foi o Zezinho que me empurrou!...” Nós ganhamos muito coisa hoje...

- Ah! Aquilo lá é fichinha! É Fichinha!

- Só que a tia Flávia não gostou muito daquele cutucão não, viu?

- Eu vô de qualquer jeito! Nem que seja na roda do carro, dependurado. Hi! Já to falando besteira! Eu vou trapaiá todo mundo! Ei, cadê os meninos da marcenaria, aqules menino atentado?

- Nós demos um descanso para eles...

- Pois é, eu to com saudades deles, cê sabe do que eu gosto? ´Quando ela aqui oh! (Fala o nome de uma das tias da evangelização) toca aquele tum tum!(violão), é bunito demais... Cadê o tocador(violão)? Cê num vai tocar pra mim não? ( - Eu toco para você todos os dias Zezinho! – responde a tia).

- E eu escuto e vou rebentá todas aquelas cordas, ocê vai ver só porque ocê num quer tocá para mim... Cadê o nosso trabalho? Eu num quero trabaiá não! Eu quero é ficar preguiçoso, eu quero é ficar à-toa, mas eles aui ficam me mandando para vcoês... Nóis num vai trabaiá não, nóis vai é cantar nas rua... Eu quero é cantar nas ruas junto dos meninos... Gente! Na casa dessa daqui tem um monte de tocador (02 violões, 01 guitarra). Eu vou quebrá tudo se ocê num tocá pra mim... Cadê a tia Flávia? Eu sei porque a tia Flávia num ta aqui hoje! Gente hoje é a formatura dela, gente, eu tava lá na casa dela. A Flavinha, tava muito bunitinha, gente! Tava muito bunita, gente! Ta tudo bão, gente? Depois eu vorto viu? Tchau para todo mundo!...

Em uma oportunidade de estudo, o tema era a música e este que descreve a história dissertava sobre a importância da arte, e enquanto discursava entusiasmado sobre o tema, foi mostrado através de quadros de vidências de uma das médiuns da casa, Zezinho, no século XVI como escritor.

No seu envolvimento conosco, Zezinho ofertava alegria, recebia afeto sincero, carinho. Comparecia também nas reuniões de orientação e numa destas apresentou-se choroso e triste...

- Ei gente! Ei pra todo mundo! Hoje num quero nem falá. Num me deixaram vir aqui. Num sei se fico alegre ou se fico triste, só de pensar começo a chorar... Tchau gente! Tchau gente!

Naquela noite uma dorzinha batia no nossos corações. Era já a antecipação da dor da saudade, a mesma dor que fazia Zezinho chorar. A dor da separação... Esta foi a última comunicação que tivemos com o Zezinho... Intuitivamente percebíamos que ele iria reencarnar (renascer) e nos sentíamos como ele próprio: Não sabíamos se alegres pelo seu retorno à carne ou tristes pela separação. Ficamos a meditar: Porque aquele menino fora parar nas ruas? Apesar da separação necessária, não nos esquecemos dele e decidimos trazer a sua experiência a público. Porque da sua rebeldia? De onde provinha? Qual a razão da sua agressividade? Solicitamos aos dirigentes espirituais que nos fornecessem mais dados a respeito dele.

Estas informações nos chegaram através da Irmã Laura, alma bondosa e querida, estrela de rara beleza, que dignou nascer novamente em terras brasileiras, no Estado da Bahia, em 23 de dezembro de 1990, disposta a diminuir o sofrimento do nosso mundo.

Eis a história de Zezinho contada por Irmã Laura, um ano antes dela renascer:

... José Leopoldo de Queiroz nasceu em Portugal. Foi um dos maiores escritores da época em que viveu. Fora-lhe determinado por espíritos amigos que escrevesse artigos que despertassem a humanidade para o amor aos carentes, para a fraternidade e a caridade. No entanto, tornou-se escritor político. Por algum tempo viveu a ganância do dinheiro e, assalariado, foi muito bem pago, escrevendo artigos contra cidadãos honestos, até que veio a desencarnar ainda moço, pobre boêmia. Chegou ao plano espiritual em condições de fazer dó. Fora lhe programado o seu reencarne, o que foi tentado através de várias mulheres sem responsabilidade, foi abortado 05 vezes.não conseguia alguém que pudesse acalentá-lo até que um dia reencarnou através de uma amiga e, ao contrário das outras vezes, quando teve de abandonar o seio materno, enfim conseguiu-se manter na carne. As condições materiais eram precárias. Desnutrido, com várias enfermidades chegou atingir uma certa idade. Com seis anos, já comandava grupos de meninos na rua. Vivendo de um lado para o outro, separado da mãe, conseguiu chegar aos doze anos. Nesta faze, seguido de seus companheiros e conhecido por Zezinho (nome que ele carrega por várias encarnações) desencarnou não em conseqüência das drogas, mas em um acidente, embora estivesse dopado. Isto acontece por que as pessoas viram as costas para estas crianças, que batem às nossas portas, que não são capazes de aproximar de um banco de jardim e dar uma palavra amiga... Zezinho passou muito tempo em preparação, rebelde, desorientado, esteve em vários grupos de aperfeiçoamento, até que conseguiram encaminhá-lo aqui, onde desabrocharam suas primeiras florezinhas, ainda meio rebelde, mas já consciente ele vem, para uma nova experiência difícil. A sua situação não é diferente no seu estado material.

Naqueles dias que antecediam novembro, uma aura de tristeza envolvia este que narra a história. Esta aura de tristeza estimulava o vazio nele, era como se a cada ano, cada novembro eclodisse o vulcão dos seus sentimentos. Este estado o predispunha à mudanças, apesar do ostracismo costumeiro, os sentidos eram aguçados, fazendo crescer seu potencial de observação. Isto o transformava em um sonhador, nos seus vôos perdidos, eterno apaixonado pelas causas nobres e perdidas. No seus sonhos escondia a incapacidade e anseios de luta por tais causas. Sentia ele então a indiferença e o desconhecimento pressentidos então nos corações das pessoas. É preciso melhor mecanismos de prevenção, melhor estruturação no organismo social para o tratamento desta célula dolorosa, entretanto as pessoas vendo-a tornaram-se cegas. A sociedade assiste passivamente em estado agônico ao auge dos seus valores negativos. As pessoas estão muito preocupadas consigo mesmas, ainda carecem do amor pelo próximo.

Goiânia é assim. Cidade bela, árvores grandes. Muito verde espalhado a colori-la, matizado pelo vermelho, amarelo violeta e azul das suas flores ornamentais e flora importada. Mas toda esta beleza não é bastante para esconder a beleza das flores tristes que vagam, pelas ruas, pés descalços, dorso nu, roupas encardidas a mendigarem de nós compreensão e carinho, a furtar-nos os bolsos. Entretanto parece-nos mais fácil não vê-las. Estamos muito ocupados, precisamos lutar para que nossos filhos estudem nos melhores colégios, para que conquistem posições condizentes com os nossos “status”, enquanto fingimos não ver a situação caótica da educação nas escolas oficiais. Cada um que zele por si e de seus filhos. Não é problema nosso. Eles que vivam de acordo com o seu poder aquisitivo. Assim, quando nossos filhos com livre acesso à melhor educação e informação desfilarem suas belezas e juventudes, trajando “marcas” e aureolados pelo diploma de vencedores, horrorizados, mas com ares de quem sabem o que diz, exclamem taxativos:

- É preciso implantar apena de morte!...

Querem destruir o criminoso, mas continuam a fomentar o crime... Isto para não dizer que a pena de morte existe, legalizá-la seria a pior das injustiças...

... Nos arredores de Goiânia. Numa cidade circunvizinha, em um dos seus bairros mais miseráveis. Numa família numerosa e paupérrima, retorna ao casulo da carne, Zezinho. Chega em um momento difícil, em que as pessoas alarmadas falam de pena de morte em um país onde se matam 400 meninos de ruas por ano. Chega de pele morena, olhos claros, sorriso maroto, esqualidez dos sofrem a fome. Chegou em um dia de greve no sistema de saúde e teve a sorte de não morrer por falta de atendimento.

Chega em um momento em que vivemos uma grave crise moral. Quanto às suas chances de vencer, só o tempo dirá. Ele que sempre viveu tempos difíceis, encontra-se agora em dificuldades ainda maiores, porque terá que vencer a si mesmo nesta sociedade egoísta. Pouca chance terá.

No bairro que abriga o Zezinho, como em outros também miseráveis, na maioria das cidades brasileiras, outros Zezinhos estão também desabrigados. São de todas as idades, recém-nascidos, até aqueles que ainda não encontraram a bala perdida, a metralhadora de um grupo de extermínio ou a fome não minou de todo as suas forças e permanecem de pé, porquanto tempo ainda não se sabe.

Zezinho vencerá? Não depende só dele. Depende de nós, do nosso amor, do contrário ele falirá de novo...

Na data de hoje 09 de agosto de 2010 ele se encontra com 20 anos, só isto é que sei...





























Latinidad - uma compreensão da identidade latino-americana a partir da Nova Canção

De forma particular a Nova Canção consistiu em um repúdio à cultura invasiva capitalista e, especialmente, à estadunidense, buscando fortalecer-se enquanto identidade. Nessa perspectiva, este trabalho objetiva analisar por quais processos e meandros se deram sua construção, bem como relacioná-lo a temática identitária latino-americana.


Efetivamente não se pode pensar a nova canção apenas pelo viés cultural ou político, de modo isolado privilegiando um ou outro, assim trata-se de estabelecer inquestionável ligação entre cultura e política. Diante de tal assertiva busca-se compreender as extensões de tal relação. Composto de inúmeros artistas o movimento se torna interessante na medida em que abre possibilidade de perceber não apenas o lado cultural-artístico desses homens e mulheres, mas também seu engajamento político.

Dessa forma, pretende-se identificar e analisar nas canções do movimento Nova Canção seu teor político e identitário. Nesse aspecto analisa-se a participação de precursores como Violeta Parra, Victor Jara, Quilapayun, Intillimani, do Chile; Mercedes Sosa, Athaualpa Yupanqui, da Argentina; Sílvio Rodriguez e Pablo Milanez, de Cuba, inseridos em contexto histórico de um mundo dividido em dois blocos, o capitalista e a proposta “socialista” soviética.

Este trabalho, no que se refere à abordagem do fenômeno latino-americano fundamenta-se na visão de Velasco (2009), do ponto de vista da identidade revisita o trabalho historiográfico de Larrain Ibañez (1996) e Valdéz (1996), Garcia (2009), Silva (2000), Silva (2009), Woodward (2000), Duarte (2009), Gonzalez (2009) e Rolle( 2009). Na sua abordagem contextual histórica é contemplado pelos pensamentos de Guazzelli (1993) e Hobsbawm (1998).

Importa esclarecer que se fez muito uso de artigos da internet, porém, levando em consideração a seriedade dos sites, a formação dos autores e seus vínculos institucionais. Não menos importante é refletir sobre as dificuldades de acessibilidade às fontes documentais e bibliográficas de temas que não sejam inteiramente pertinentes ao país. Não se considera aqui o melhor caminho para uma pesquisa, porém devido a relevância da abordagem do objeto escolhido, preferiu-se sua manutenção.

Do ponto de vista metodológico propõe-se a análise e a revisão historiográfica e bibliográfica dos seus principais elementos, ao mesmo tempo em que analisa letras de música como documento de registro histórico, na perspectiva de como foi pensada a identidade latino-americana e suas implicações ideológicas, políticas e sociais.



PERÍODOS DE CRISES E A CONSTRUÇÃO DAS IDENTIDADES LATINO-AMERICANAS



Para muitos intelectuais latino-americanos pensar a América Latina significa pensar sua identidade e vice-versa. De acordo com Valdéz (1996, p. 181), faz parte de um universo conceitual onde se articulam diversos outros se constituindo em um sistema de pensamento. É assim que diversos teóricos a analisam ora associando-a ao autóctone, ora ao camponês mestiço (criollo), com o urbano subdesenvolvido ou com o latino.

Com base na leitura Larrain Ibañez (1996), nota-se que o tema da identidade latino-americana é analisado como decorrente de momentos de crise, períodos que considera ter originado diferentes sínteses culturais. Assim, o primeiro momento de crise ou síntese cultural resultou do encontro das culturas espanhola e indígena. A segunda síntese cultural teria surgido no contexto das guerras da independência hispano-americanas sob a influência do liberalismo, do positivismo e do Iluminismo. Nesse contexto o racionalismo científico era o que se acenava como única esperança para o estabelecimento de “Ordem e progresso” das repúblicas emergentes.

Efetivamente se pode compreender que em um primeiro momento a cultura latino-americana resultou da cultura indo-ibérica altamente influenciada pela religião católica, pelo racismo e fusão com os elementos culturais nativos dos países e, no segundo momento, resultou-se em um novo polo que pretendia incorporar as novas idéias européias do racionalismo e do liberalismo.

Ao final do século XIX as influências do positivismo e idéias iluministas conduziram à prática de rechachamento da cultura indo-ibérica resultada de 300 anos de colonização, ao mesmo tempo convivia-se com as idéias de implementação de culturas européias e também estadunidenses como prática de solucionar as consideradas deficiências latino-americanas. Pensava-se em uma América Latina que precisava ser “civilizada” nos moldes europeus e ou estadunidenses.

Um terceiro período de crise surgiu na América Latina entre as guerras mundiais e grande depressão do sistema capitalista, a chamada crise de 29, época em que a harmonia baseada na política coronelista e nas oligarquias latino-americanas se deteriorou e as classes médias e trabalhadoras desafiavam a ordem estabelecida. Por fim, Larrain Ibañez se refere a um quarto período de crise originado por volta dos anos 70 do século XX, quando houve um estancamento no crescimento industrial, colapso dos regimes populistas e numerosas ditaduras militares, especialmente no cone sul.

Olhando para o momento de origem da Nova Canção, percebe-se que se deu no fim do terceiro período de crise e durante o quarto período. Refere-se, portanto, ao momento posterior a segunda guerra mundial e advento da Guerra fria. No intuito de permitir entender este momento da história como uma crise dentro de outra crise, deve-se retroceder no tempo histórico porque a história é um processo e é preciso analisar em particular as conexões e relações de vários fatos que conduza a uma melhor compreensão desse período.

Cabe observar as considerações de Hobsbawm (1998) em torno do século XX quando afirma que a revolução como uma constante global na história do século. Para o autor (1998 p. 61), “A revolução foi a filha da guerra no século XX; especificamente a Revolução Russa de 1917[...]. Embora sua referência seja à socialista soviética observa-se que fazem parte do mesmo processo histórico a crise, o colapso (a Depressão financeira de 1929), seguida de uma Segunda Grande Guerra Mundial e a Guerra Fria dando os contornos de uma ordem global, mundial.

Em todo esse cenário traçado pelo autor integra-se a América Latina que sentiu de muitas formas todos os acontecimentos, sobretudo, as conseqüências dos embates da Guerra Fria. Desde o início esteve envolvida na disputa pelas áreas de influencia do capitalismo estadunidense que mais uma vez trouxe a tona a Doutrina Monroe para manter afastado, especialmente, o socialismo soviético.

Nos anos 60 do século XX os países latino-americanos se apresentavam genericamente em duas situações: determinados países ainda continuavam mergulhados nas antigas formas de dominação oligárquicas, em outros, a burguesia havia se instalado no poder através do populismo. Nos que haviam superado o Estado oligárquico, determinadas condições estruturais possibilitaram um desenvolvimento industrial, ampliando seus mercados e permitindo alguns benefícios sociais, desenvolveram-se mecanismos políticos tais como os sindicatos e inclusão de partidos, criando uma sensação de participação no poder pela massa. Contudo, o que estava embutido nisso tudo era a forma de atuação do imperialismo estadunidense como se pode observar nas palavras de Guazzelli (1993, p. 26),

A intervenção do imperialismo foi decisiva nas questões latino-americanas, tendo sido desenvolvidas duas estratégias fundamentais. A primeira, desencadeada no final de 1961 - e que praticamente se encerrou com a morte de Kennedy e a ascensão de Johnson -, era uma versão mais elaborada da “política do dólar”, sendo batizada de “Aliança Para o Progresso”. Além de prever investimentos nos paises da América Latina, havia uma orientação no sentido de reduzir as profundas desigualdades sociais das nações do continente, apoiar os governos liberais e reformistas a afastar-se das oligarquias mais reacionárias. A idéia geral era oferecer possibilidades que evitassem a opção pela luta revolucionária, como ocorrera em Cuba.



Em um cenário mundial marcado pela rivalidade político-ideológica da Guerra Fria, os movimentos de massas apareceram reivindicando reformas sociais e econômicas, se chocando de tal forma contra os interesses das oligarquias agrárias ou contra os grupos empresariais. Estas elites, rurais e urbanas, tendiam a abraçar o capital e de forma conservadora ditavam os limites que impunham rumos nas democracias latino-americanas.

No bojo dos movimentos, tanto populistas quanto socialistas sob a orientação da URSS agiam, e contra suas ações levantava-se a resistência das elites criando uma situação de forte instabilidade político-social. Assim freqüentes golpes de estados se sucedem em vários países, cujos governos eram fracos demais para contenção do radicalismo popular. Tais governos militares contavam com o apoio do capital estrangeiro, em especial, dos Estados Unidos que se empenhavam, sobretudo, em uma “cruzada anticomunista”, mantendo assim sua hegemonia sobre a América Latina.

Segundo Valdéz (1996, p. 184), a América Latina pode ser entendida a partir da oscilação entre motivações que são básicas no contexto histórico, a modernização e a identidade. A América Latina passou por um processo de acelerada urbanização, de industrialização e surgimento das camadas médias urbanas caracterizando, assim, sua modernidade.

O moderno enfatizava o científico e a tecnologia ao mesmo tempo em que sugeria a imitação de países considerados mais desenvolvidos e, de certa forma, incentivava um desapego aos elementos culturais próprios. É nesse âmbito que se discute outros fatores presentes no contexto histórico descrito, pois a presença do imperialismo estadunidense nos paises latino-americanos não os caracterizou apenas em sentido político, militar e econômico.

Dentro deste contexto aprecia-se um momento histórico em que segundo Silva (2009, p. 8), a América Latina experimentava uma avalanche que foi a entrada da cultura estadunidense, como parte de uma política imperialista em contexto de Guerra Fria, ao mesmo tempo em que reagia a partir dos mais diversos movimentos culturais latino-americanos, que concomitantemente e identitariamente se voltou para as expressões artísticas populares.

A resistência nas suas mais variadas expressões se pode apreciar a partir da Nova Canção e as diferentes concepções de seus artistas, alguns orientados para o debate sobre o caráter das manifestações folclóricas, na defesa de uma cultura popular a partir de um hibridismo resultado da cultura criolla, e outros que, a exemplo de Violeta Parra, defendiam um folclore mais próximo da realidade social em que a sociedade se encontrava, apartando-se e negando as raízes criollas.

Seguindo a linha de pensamento de Woodward (2000 p. 9), que diz só se poder considerar a identidade a partir de uma relação, dentro da percepção do outro e do eu, sendo, portanto, relacional, e marcada pela diferença. Têm-se nesse cenário latino-americano diferentes elementos políticos, culturais que colocam em questão as perguntas identitárias.

Os paradigmas externos sempre impulsionaram reações contrárias entre a intelectualidade latino-americana em diferentes tempos. Diversos intelectuais se posicionaram contra a cultura estadunidense: José Marti, de Cuba; Rubén Darío, da Nicarágua; José Vasconcelos, do México; Rufino Blanco Fombona, da Venezuela; Manuel Ugarte, da Argentina se opuseram juntamente com o uruguaio José Enrique Rodó, ao que denominou de nordomania. Todos sustentavam a idéia de que a América Latina possuía maior sensibilidade cultural reivindicando, assim, virtudes da “raça” latina e maior sentido idealista, em oposição ao pragmatismo estadunidense.

Nesse contexto de projeção dos Estados Unidos como potencia mundial e sua maior presença na América Latina associa-se, segundo Garcia (2008.p. 484-485),

[...] as transformações sociais, econômicas e culturais decorrentes dos avanços tecnológicos, de um mercado mais dinâmico, internamente alimentado pelo crescimento demográfico das cidades e externamente pela intensificação das trocas em nível mundial, materializaram-se na presença de um outro, sob a forma de uma cultura distinta, propagada pelos meios de comunicação de massa (rádio, cinema e indústria fonográfica).



Acentuaram-se as oposições por parte dos intelectuais que, diante das transformações, exercendo uma forte pressão por justiça social, propunham melhor distribuição de renda e reforma agrária, dentre outras. Setores progressistas da igreja e organizações estudantis tanto populistas quanto esquerdistas, dentro de um quadro de forte influência socialista, procuravam mobilizar trabalhadores contra a ordem de então. Para estes, a única saída era democratizar o estado e para os extremistas isto significava a instalação de uma ditadura revolucionária, além de combater o capital e a cultura estrangeira.

Conforme Rolle (2000, p.1-3) A revolução cubana em fins da década de 50 do século XX, propiciou uma onda de entusiasmo, estimulando as mais diversas correntes de esquerda, de tal forma que elegiam elas Cuba como um modelo. Com o Chile ocorreu o mesmo. Na década de 60 do mesmo século estas forças de esquerda rechaçavam a ordem tradicional a ponto de desejarem uma “Revolução Chilena”.

Podem se considerar tais ações como construtoras da identidade latino-americana porque conforme Woodward (2000. p. 10), “[...] a construção da identidade é tanto simbólica quanto social. A luta para afirmar as diferentes identidades tem causas e conseqüências materiais [...]”. Fica claro uma identificação de um “eu” latino-americano a partir da diferenciação do que era o “outro” dentro de uma situação de crise não apenas ideológica, mas também oriunda de motivos de natureza material e, portanto, social. Assim, a identidade latino-americana se faz e refaz-se compreendida em sua dinamicidade, em períodos de crise. Como afirma Silva (2000. p 82), [...] a identidade significa demarcar fronteiras, significa distinções entre o que fica dentro e o que fica fora. A identidade está sempre ligada a uma forte separação “nós” e “eles”.

Em um cenário com acentuados e convergentes problemas de ordens política, econômica, social e cultural constatados na alta concentração de renda, na desigualdade social, na pobreza, na repressão e que ainda, tinha como pano de fundo a tão almejada modernização, o movimento enfatizou a defesa da cultura, da etnia e da terra, num encontro ou num reencontro consigo mesmo a partir das suas raízes.



ANÁLISE DO MOVIMENTO E DA MÚSICA NUMA PERSPECTIVA IDENTITÁRIA



Como já foi dito anteriormente, mesmo de uma forma rápida, o fenômeno da Nova Canção se enquadrou na postura daqueles que historicamente lutaram contra a presença do modelo estadunidense assumido como possibilidade de modernização para os países latino-americanos. No entanto, chegou o momento de aprofundar sua análise no sentido de apresentá-lo em suas diferentes facetas, integrando-o ao contexto acima tratado - a temática identitária latino-americana.

Com relação a uma provável construção identitária no seio da Nova Canção há que se considerar situações históricas distintas vividas pelo Chile, Cuba, Argentina, Uruguai, Brasil entre outros países que viveram o movimento. Por outro lado, é necessário observar que em suas diferenças, se aproximavam por inúmeros elementos em um contexto que não se pode dizer chileno, argentino ou outra qualquer especificidade, mas latino-americano.

O poder ideológico da construção identitária e o engajamento político fomentado pelos mecanismos patrocinados pela esquerda no caso da maioria dos países latino-americanos revelaram nas suas criações os anseios sociais que, mesmo de forma diferenciada, representou um trabalho concreto que pode ser visto de forma mais imediata como de resgate de uma cultura folclórica, mas que em profundidade esse resgate constitui uma resposta em forma de protesto frente ao elemento externo.

A América Latina revelou por meio de suas canções reflexos dos anseios de justiça social na maioria dos seus países. Dessas canções se depreende uma tomada de consciência para a pobreza, e a miséria do povo. Sob outro aspecto, particularmente chileno, pode-se observar nestas canções a representação de uma mudança no modo de vida marcado pelo êxodo de uma cultura rural, campesina para o meio urbano, momento em que houve uma retomada de elementos folclóricos e herança criolla.

Tanto em sentido político, social e cultural tem-se implícito uma reflexão identitária uma vez que o outro aparece de diferentes formas. Diante do outro são recuperados traços da identidade latino-americana que, de forma sincrética, envolve religiosidade, política a partir do discurso social, o amor a terra, ao semelhante de forma fraterna que em muito recupera o discurso da unidade latino-americana de outros tempos.

São estas características que neste trabalho importam para analisar as canções do movimento Nova Canção de forma a relacioná-las ao contexto político e social, bem como as demandas por identidades decorrentes das crises engendradas nesse cenário. Política, religiosidade, amor são temas que aparecem às vezes isoladamente e outras vezes interligados, de forma recorrente nas quatro canções selecionadas para análise, a saber: Canción con todos, Plegaria a un labrador, La carta e Los hermanos.

A música “Canción con todos” (1982) de Armando Tejada Gómez e César Isella, uma forte representação do Novo Cancioneiro, de certa forma incorporou a ideia de uma identidade latino-americana, sobressaindo-se o pensamento político de integração: Salgo a caminar/ pela cintura cósmica del sur/ vuelvo a la región mas vegetal del viento y de la luz/ Todas la voces todas/ todas las manos todas./ Sol de alto Peru/ rostro Bolívia estaño y soledad, un verde Brasil,/ besa mi Chile cobre y mineral/ canta conmigo hermano americano, libera tu esperanza/con un grito en la voz.

A começar pelo seu título a música, em si, já é um convite à integração, clara nos versos citados. Nota-se que na canção, os compositores fazem referências aos países latino-americanos convidando-os a uma fraternidade. É assim que então conclama a todos para cantarem sua canção. Uma proposta de unidade que esteve presente entre os intelectuais americanos desde o processo de independência, condição colocada por Bolívar para criar uma identidade latino-americana forte, capaz de fazer frente ao domínio espanhol, parece retomar a mesma lógica quando de um contexto imperialista estadunidense. Todos estes anseios de uma unidade americana de certa forma são transportados e veiculados pela música. Não se trata do ato simples de cantarem juntos apenas, e sim de irmanar corações e mãos em um projeto comunitário que enfim seria a América Latina pretendida. Corroborando a idéia destacam os autores a paisagem e a riqueza latino-americana, juntos em uma unidade poderiam vencer as influências externas.

O contexto, entretanto, é outro, nele o enfrentamento se dá com o que o cubano José Martí (1983, p. 198), considerou ser o tigre do norte a espreita atrás da árvore e que chega com garras de veludo. Nesse contexto, no embate entre capitalismo e socialismo que a América Latina mais uma vez jogou o jogo das identidades com uso de elementos que soam forte para o homem latino-americano. É assim, que há na construção dessa identidade um “quê” de religiosidade atestada por Larrain Ibañes quando considerou a primeira síntese cultural como marcadamente religiosa. Este elemento, a obediência religiosa a “dios”, foi e ainda é uma constante na formação de tal identidade. É o que é possível entrever nos versos da canção chilena Plegaria a un labrador de Victor Jara, (1969)

Levantate y mira la montaña/ de donde viene el viento, el sol y el lágua/ tu que manejas el curso de los rios/ tu que sembrastes el vuelo de tu alma/ levantate e mirate en las manos/para crecer estrechala a tu hermano/ juntos iremos unidos en la sangre/ hoy és el tiempo que puede ser mañana/ libranos de aquel que nos domina en la miseria/ traenos tu reino de justicia e igualdad/ sopla como el viento la flor dela quebrada/ limpia como el fuego el cañon de tu fuzil/ hágase por fin tu liberdad aquí en la tierra/ danos tu fuerza y tu calor al combatir/ sopla como el viento la flor de la quebrada/ levantate y mirate las manos/ para crecer estrechala a tu hermano/ juntos iremos en la sangre/ ahora y en la hora de nuestra muerte amén/ amén, amén.



Apesar do apelo ao socialismo em voga na época, antes se destaca o elemento religioso, pois na tradução de seu título tem-se que se trata de uma prece. Tu que manejas el curso de los rios” ou “libranos de aquel que nos domina en la miseria/ traenos um reino de justicia e igualdad[...]” estes versos denotam uma oração, uma suplica de alguém que acredita em algo forte que tudo conduz. Porém, olhando em uma perspectiva político e social, a plegaria (prece) foi dirigida não a Deus e sim ao lavrador chamado a revolução. [...] juntos iremos unidos en la sangre/ hoy és tiempo que puede ser mañana/ libranos de aquel que nos domina en la miseria/...) limpia como el fuego el cañon de tu fuzil/ hágase por fin tu liberdad aquí en la tierra[...].

Estes versos citados por último acenam a possibilidade de construção de uma nova realidade, que não era preciso esperar, podia ser feita no hoje, ou seja a partir das ações revolucionárias. Nesse sentido as mudanças ocorreriam não pelas ações divinas, e sim por ações humanas desempenhadas por alguém que tinha o poder, a arma, a força, mas elevado à condição divina. A prece era dirigida a este homem.

Não se pode negar seu caráter político e a conclamação, a integração de um “povo” que enfim realizaria a mudança. Jara e os novos cancioneiros pregavam uma consciência do artista e seu engajamento político por meio dos trabalhos de arte, no caso específico do Chile, pensava-se uma revolução pacífica realizada através de eleição, mas, entretanto, havia aqueles que dentre os artistas pregavam a necessidade de uma revolução armada se preciso fosse. Jara com esta canção parece reconhecer essa necessidade.

Interessante apontar este mesmo pensamento na letra de Paulo Sérgio Valle e música de Marcos Valle, intitulada “Viola Enluarada”, de 1967, o que aponta de certa forma os elementos de construção identitária que fora, no período, uma conscientização promovida pelas canções. É o que se pode perceber na letra da música:



A mão que toca um violão/ se for preciso faz a guerra/ mata o mundo fere a terra/ o mesmo pé que dança um samba/ se preciso vai à luta/ capoeira/ quem têm de noite a companheira/ sabe que a paz é passageira/ pra defendê-la se levanta e grita/ eu vou!/ Mão, violão, canção, espada/ e viola enluarada.



Este mesmo pensamento de conscientização política e o interesse social deveriam ficar claros nas canções. Nesse aspecto seus criadores tinham que ter consciência de serem sujeitos da história e, portanto, compromissados com a sociedade como um todo. A música devia servir como meio de transformação. Assim as canções latino-americanas, muitas dentre elas, traziam uma conotação de profunda tristeza e denunciavam à época as injustiças sociais.

Dentro do movimento Nova Canção no Chile, para Duarte e Gonzalez (2004 p.6), Violeta Parra, a criadora de La Carta, Gracias a la vida e Rin de angellito, talvez seja a principal expoente da música chilena. Suas composições englobam obras de caráter instrumental e canções de raízes folclóricas, mas distante de um folclore criollo, ou seja, de um folclore resultante de um processo de aculturação de elementos ocidentais e hispânicos. Suas letras partem das questões sociais e deixa claro seu posicionamento em face dos problemas sociais, assumindo um sentimento anti-estadunidense.

Em La Carta, Parra denuncia a prisão de alguém que havia participado de uma greve que já fora resolvida. De uma natureza política muito forte, composta entre os anos de 1960 e 1963 é um documento de como se encontrava o Chile na época. Roberto, um nome fictício foi à representação, a incorporação não apenas de um personagem que fora preso, mas a significação de qualquer socialista preso e a certeza dos laços que os uniam e daí o termo hermano, socialistas estes que se chamavam de comunistas como no verso: “Por suerte tengo guitarra/ para llorar mí dolor,/ también tengo nueve hermanos,/ fuera de él que se engrilló,/ todos son comunistas,/ con el favor de mí Dios, si.” Dizendo ela contestar os motivos da prisão se propunha a ser presa, parecia pretender dizer que para cada socialista preso, outros tantos co-existiriam libertos e irmãos em ideal.

Este parece ser o mesmo sentido do pensamento da canção de Athaualpa Yupanqui (1976), Los Hermanos: ”yo tiengo tantos hermanos/ que no los puedo contar,/ en el valle, en la montana,/ en el pampa y en el mar,/ cada cual con sus trabajos, cada cual,/ e una hermana mui hermosa/ que llama libertá!” O ideário socialista não apenas os irmanavam, os libertavam. Assim no pensamento de Yupanqui, a voz deixava de ser individual, de ser argentina ou chilena, quando utilizada por Violeta Parra, se somava uma a outra como uma canção com todos. É nesse sentido que se pode compreender quando na canção ela diz - eu que me encontro tão distante, esperando notícias, me vem dizer a carta que em minha pátria (Chile) não se fazia justiça, os famintos pedem pão e lhes molestam a polícia.

Em seguida faz crítica ao governo da época Jorge Alessandri, da Democracia Cristã. O Chile houvera sido palco de várias propostas socialistas, destacando-se entre estas a Democracia Cristã que se propunha à justiça social mesmo dentro do modelo capitalista, mas enfim esta justiça não se havia cumprido, os direitos sociais requeridos pela greve como no caso em que a Roberto havia participado. A Democracia Cristã havia mudado na prática o discurso socialista. É a Jorge Alessandri que ela chama de leão sanguinário e a Democracia Cristã:

De esta manera pomposa/ quieren conservar su asiento/ los de abanico y de frac/ sin tener merecimiento/ van y vienen de la iglesia/ y olvidan los mandamientos/ si/ Habrá se visto insolencia/ barbarie y alevosia/ de presentar un trabuco/ y matar a sangre fria/ a quién defensa no tiene con las dos manos vacias/ La carta que me mandaran/ me pide constestación/ yo pido que se propague por toda población/ que el Léon és un sanguinário/ en toda generación/ si/ Por suerte tengo guitarra/ y tambiém tengo mi voz/ también tiengo siete hermanos/ fuera del que se engrilló/ los nueve son comunistas/ con el favor de mi Diós, si…



A música de Violeta Parra, a canção politizada, a Nova Canção, segundo Duarte e Gonzalez (2004 p. 6), havia sido estruturado naquela década de 60 do século XX, propunha-se tanto a denunciar as arbitrariedades de governo que não atendia as reclamações populares como em “La carta”, quanto para investir em um projeto eleitoral comprometido com as utopias. O grupo Quilapayún, alinhado com a campanha de Allende, havia gravado “La carta” em 1969, além de outras de cunho social, inclusive de outros autores latino-americanos como Yupanqui. Diversas gravações pontuam inúmeros momentos da história dos países latino-americanos. Além dos já citados, uma delas sem dúvida foi quando da sua gravação pela cantora Mercedes Sosa, em 1971, quando a Argentina vivia a ditadura militar do general Onganía.

Esta música tinha transposto o limiar do nacional e ganhava fronteiras em outros países onde a prática política oprimia e causava miséria, tratando com poderes de polícia a fome. No Uruguai resistia-se, em 1967, contra a ditadura militar, no Brasil ela estava no auge através do AI-5 e no Chile pretendia-se um processo socialista através de Allende, que enfim suplantasse a Democracia Cristã e realizasse a tão sonhada justiça social. “EL León”, da letra de Parra conforme Duarte e Gonzalez (2004 p. 8), dialoga com um cenário maior e passa representar todos os ditadores e todos seus auxiliares latino-americanos.

Dessa forma, mais uma vez se pode notar a força de uma unidade americana contra os atos representativos que impossibilitavam a América Latina de caminhar sozinha, e que enfim atava os anseios imperialistas em defesa dos latino-americanos. Assim é que em outra leitura de “La carta”, gravada pelo grupo Raices de América em 1980, no ritmo da chacarera , com uma pequena mudança na letra onde Parra dizia “los nueve son comunistas” a nova versão havia mudado para: “todos são revolucionários”.

É preciso destacar como o pensamento latino-americano se entrelaçava e irmanava, bem como as canções serviam como um mecanismo de expressão que deixavam claro seus sentimentos comuns. Sentimentos esses fortemente arraigados às causas sociais e conseqüentemente preocupados com elas, ao mesmo tempo em que expressavam também seu desgosto pelo comportamento daqueles que oprimiam o povo ou, oprimia a elite intelectual que pensava construir uma identidade latino-americana. Esta elite procurava deixar claro seu tom de desgosto e desabafo e quando acontecia nas canções, sua voz não era apenas de uma nacionalidade e sim ganhava ares unindo ou ao menos se propondo a unir, vários países em torno de seus temores, dissabores, injustiças, desapontamentos, etc. Tanto foi assim que quando uma música era lançada em um país, pouco tempo depois surgiam versões ou outras canções a reclamar em mesmo tom os valores citados por outras.



CONSIDERAÇÕES FINAIS



Nesta breve análise da história latino-americana, foi possível perceber os embates em torno da identidade latino-americana, em diferentes períodos e, especificamente no recorte estabelecido, um cenário dividido entre as duas grandes potências da época da Guerra Fria e seus respectivos sistemas políticos, econômicos e ideológicos. Paralelamente às posturas de aceitação e mesmo desejo da influência norte-americana conviveu uma postura de resistência formada em vários âmbitos e demonstrando, portanto, a diversidade de pensamentos e interesses políticos, sociais e culturais que formavam e ainda formam o ideário americano.

Tal complexidade permitiu reflexões em torno da problemática identitária comprovando o tema como algo intrínseco ao próprio pensamento latino-americano. Considerada a identidade em seu caráter dinâmico sem, contudo, desconsiderar certo atavismo que se articulam às identidades que se faz e refaz em diferentes tempos.

É assim que, sobre o objeto aqui investigado, a Nueva Canción latinoamericana, pode-se afirmá-lo como fenômeno que teve dupla orientação: uma específica que dialoga com os membros de uma determinada comunidade e outra continental que dialoga com praticamente toda a América Latina marcada por semelhanças históricas, condição essa que possibilitou relacionar as composições musicais a uma idéia de unidade latino-americana tão cara àqueles que empreenderam os movimentos por independência das colônias espanholas e idealizaram uma América livre e forte.





Resumen: Este artículo tiene como objeto analisar el movimiento Nueva Canción que ocurrió en el período de 1960 a 1980, contexto de la Guerra Fría en ámbito mundial, que imprimió consecuencias para los países latinoamericanos. Con origen en Chile, la Nueva Canción, se irradió por la Argentina, Cuba, Uruguay y, en general, para toda la América Latina. En este sentido, es posíble pensarla como un fenómeno genérico que, mismo particular en cada país, dialogó con el todo americano. A partir de tal consideración el objeto pretiende discutir el movimiento en su relación con la construcción de la identidad latinoamericana en el destacado período. Para realizar esa propuesta echa mano del análisis bibliográfico de teóricos que discutieron sobre la identidad latinoamericana y el movimiento Nueva Canción, además de analisar algunas músicas interesantes para establecer la relación entre el contexto histórico del período, el movimiento y la construcción de una identidad americana.



Palabras-clave: Identidad; Nueva Canción; Guerra Fría.







REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



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PARRA, Violeta. La Carta. Raíces de América. Raíces De América Seleção De Ouro.1988

YUPANQUI, A. Los Hermanos. Elis Regina – Falso Brilhante. 1976





AGRADECIMENTOS







À causa primária de todas as coisas, à suprema inteligência do universo. Aos professores e Mestres do cotidiano que tão bem revelaram bondade, desprendimento e honradez no exercício de suas funções. Em especial à Giselle Garcia de Oliveira, orientadora deste trabalho.