quarta-feira, março 09, 2011

Na terra como no céu

“É preciso fazer brotar no fundo de nós mesmos o desejo do bem para que possamos merecer a graça de retornarmos à Terra dos tempos novos!” Rembrant



No dinamismo da vida nada está realmente parado. É preciso que a verdade de todas as coisas seja restabelecida. Esta é a realização da promessa crística quando, o seu verbo Divino proclama: Se me amardes, guardareis os meus ensinamentos. E, eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, - o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque ele não o vê nem o conhece. Mas vós o conheceis, porque habita convosco, , e estará em vós, - Mas aquele Consolador, o Santo Espírito, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo quanto vos tenho dito. (João, capítulo 14, versículos 15 a 17 e 26.)

No prefácio do Evangelho segundo o Espiritismo está confirmada a argumentação de que vivemos o tempo em que a verdade gradativamente é restabelecida: “Digo-lhe que são chegados os tempos. Todas as coisas, daqui para diante, terão o seu sentido real restabelecido, visando a dissipar as sombras, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”

O restabelecer da verdade tem a função de dissipar as sombras que envolvem as coisas o que inevitavelmente pode confundir o orgulho daqueles que partindo do seu ponto de vista se acreditam de posse da verdade absoluta ao mesmo tempo em que glorificará o justo o que equivale dizer que a verdade é justa e como tal coloca o justo no seu devido lugar, capaz de iluminar como a candeia que é retirada debaixo do alqueire. É preciso que se entenda a arte como a candeia que está colocada sob o alqueire o que é verdadeiramente injusto porque o que se quer com a candeia é iluminar e ela, a arte colocada em ponto estratégico é capaz de plenificar sua luz. Até então sua luz como verdade permanece em estado latente aguardando o momento adequado para seu desabrochar. É meu pequeno óbulo. Lutar pela valorização da arte, restabelecendo sua verdade a ponto de lhe fazermos justiça colocando-a no patamar que lhe é devido para que ilumine cada vez mais. Isto requer o auxílio de uma ciência, de uma verdade que apenas recentemente a evolução da humanidade se permitiu enxergar, o espiritismo, o consolador prometido. Isto fica claro quando Kardec afirma: “O espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, através de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as relações desse mundo espiritual com o mundo corporal”.Há uma relação entre o mundo corporal ou material e o espiritual ou imaterial o que equivale dizer que há uma arte material efeito das nossas ações materiais e uma arte espiritual ou efeito das nossas ações espirituais ou ainda, ações espirituais dos espíritos ou seres imateriais. Dilatar a compreensão dessa relação mundo corporal, físico e a essência que é de natureza espiritual é necessário a cada um de nós para podermos compreender o que é arte e sua capacidade de plenificação da luz. O que se quer realmente dizer com isto é que tudo está em transformação em busca de sua essência real, isto porque ultrapassados os limites que nos ligava à infantilidade planetária e por uma lei natural de evolução ocorre por esta imposição a transformação material natural do planeta e, é claro conseqüentemente tudo que nele habita se transforma para um mundo regenerador. Desta forma com a arte não pode ser diferente. Ela está também em transformação, há de surgir como tudo regenerada. Para tanto é necessário compreende-la como parte de um conjunto inseparável. Há que ser a arte combinada com o evangelho de Cristo, sem o que ela permanecerá incompleta. Eis aí a verdade na qual a arte como a candeia colocada no seu justo lugar para que possa realizar sua tarefa de plenificação. Permita-me o leitor passar em revista o penúltimo capítulo da obra “Universo e Vida” de autoria espiritual de Áureo, editada pela FEB em 1978. Assim diz Áureo: “O espiritismo não tem o caráter isolado de uma filosofia, de uma ciência ou de uma religião. É, simultaneamente revelação divina e obra de cooperação dos Espíritos humanos desencarnados e encarnados.” Isto já basta para estabelecer uma co-relação entre a arte que é produzida no nosso plano de ação – o material e tida por muitos como a única arte que existe por que apenas o mundo material é aceito e conseqüentemente quem assim vê aceita apenas as leis que regem o mundo material, mas não é assim nem com a arte nem com nada. A própria matéria não existe sem que preexista a energia básica que é de essência espiritual, embora só consigamos perceber a matéria, ela não é nada mais que uma extensão vibratória do espírito. Desta forma podemos perceber que tudo que é material é causado por energia espiritual e como não há efeito sem causa e partindo do princípio de que a matéria não é causada pela própria matéria em si, é aceitável o pensamento que ela é gerada por energias espirituais. Podemos conceber então que a arte é resultada não apenas das nossas ações físicas puramente materiais, mas também efeito das nossas ações mentais, portanto equivale dizer que ela só existe por que foi concebida e criada pela mente. Por isso dizia Da Vinci: A pintura é coisa mental. Ousamos acrescentar: “A arte é coisa mental”. Após esta breve digressão sobre arte podemos retomar o pensamento de Áureo no ponto que avalia o caráter trino da Doutrina Espírita, a partir do qual pudemos aceitar a idéia de que como “espíritas” não somos apenas religiosos, mas também filósofos e cientistas e independentes de estarmos encarnados ou desencarnamos co-participamos de forma a participarmos não apenas da doutrina espírita mas de outras ramificações do pensamento humano do qual nos unimos pela afinidade. Contínua assim Áureo: Tem a característica de ser impessoal e progressivo; primeiro por não ser fruto da revelação de um só Espírito, nem o trabalho de um só homem; segundo por ser a complementação natural, expressa e lógica das duas primeiras Grandes Revelações Divinas (a de Moisés e a do Cristo);(...) Nesse ponto Áureo deixa claro uma gradação e evolução natural das revelações divinas ao ser humano, uma sendo conseqüência da anterior e portanto sua evolução transitando do pessoal para o impessoal, do individual para o coletivo, enfatizando esse aspecto como exemplo cita Áureo: “terceiro, porque, como bem disse Kardec, ele jamais dirá a última palavra. O espiritismo é ciência porque investiga, experimenta, comprova e conceitua leis, fatos, forças e fenômenos da vida, de natureza, dos pensamentos e dos sentimentos humanos. É filosofia, porque cogita, induz e deduz idéias e fatos lógicos sobre as causas primeiras e seus efeitos naturais; generaliza e sintetiza, reflete, aprofunda e explica; estuda, discerne e define motivos e conseqüências, como e porquês de fenômenos relativos à vida e à morte. É religião, porque de suas constatações científicas e de suas conclusões filosóficas resulta o reconhecimento humano da Paternidade Divina e da irmandade universal de todos os seres da Criação, estabelecendo, desse modo, o culto natural do amor a Deus e ao próximo.Somente sendo assim como é, poderia o Espiritismo realizar a sua grande missão de transformar a Terra, de mundo de sofrimento, de provas e expiações, em orbe regenerado e pacífico, a caminho de mais altas expressões de glória cósmica. Essa missão de transformar o mundo, o Espiritismo cumprirá; não com palavrório inconseqüente, nem com tricas políticas ou com ações de força bélica, mas fazendo a Humanidade enxergar e entender a evidência das grandes leis e dos grandes fatos da vida, a imortalidade do Espírito, a justiça indefectível, o imperativo do amor. ”O espiritismo deverá agir em todos os campos de conhecimento e da ação humana, desta forma auxiliando para que estes campos e estas ações sejam guiados para o restabelecimento da verdade. Assistiremos então o espiritismo e conseqüente as ações espíritas na Literatura, na música, nas artes plásticas, no cinema, no rádio, no teatro, na televisão, na medicina, na Psiquiatria, na Psicologia e Psicanálise, Lingüística, Sociologia, Arqueologia, Geologia e História. Como e quando efetivamente será a ação do espiritismo na arte? E mais: Como e quando será efetivamente a participação do artista espírita posto que como espírita cabe-lhe o dever de ser ao mesmo tempo cientista, filósofo e religioso da arte?

Créditos desta edição:

Bibliografia:

KAMINSKY, Walkíria. Pescadores de Almas/Depoimento real sobre reencarnação.São Paulo: Lis Gráfica e Editora.1988

SANT'ANNA, Hernani T. Universo e Vida. RJ: FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA DEPARTAMENTO EDITORIAL.1978

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